A decisão foi confirmada por meio de uma mensagem de despedida publicada nas redes sociais, na qual expressou gratidão à comunidade e reafirmou sua confiança na direção de Deus para os próximos passos da igreja.
Em seu comunicado, Luciano relatou que o diagnóstico da doença veio no fim do ano passado e que a condição tem afetado profundamente seus sentimentos. “Enquanto eu estiver em tratamento, não posso continuar exercendo o ministério pastoral. Não quero, em hipótese alguma, prejudicar a obra de Deus”, afirmou.
O episódio traz à tona uma preocupação crescente dentro das igrejas evangélicas: a saúde mental dos líderes religiosos. A sobrecarga de trabalho, o isolamento e a pressão por desempenhos contínuos têm levado muitos pastores à exaustão. Segundo pesquisa do Barna Group, 42% dos líderes espirituais já cogitaram abandonar o ministério devido ao desgaste emocional. Entre os fatores mais apontados estão a solidão, a dificuldade de conciliar vida pessoal com o chamado pastoral e a sensação de ausência de apoio institucional.
No cenário brasileiro, a realidade não é diferente. Dados de uma pesquisa realizada em 2023 pela psicóloga Valquíria Andréia Salinas Goulart, da PUC-SP, indicam que 8% dos pastores da Convenção Geral das Assembleias de Deus apresentavam sintomas de depressão, enquanto 18,4% sofriam com ansiedade. Muitos relataram não ter espaços de escuta ou acolhimento dentro das próprias igrejas, temendo julgamentos ou a perda de autoridade perante seus membros.
A atitude de Luciano Estevam rompe esse silêncio ao tratar o tema com franqueza e dignidade. Sua longa trajetória ministerial e a forma honesta como compartilhou sua luta trazem um alerta à comunidade evangélica sobre a urgência de cuidar da saúde emocional dos que estão à frente dos púlpitos. Seu gesto, embora doloroso, pode abrir caminho para que outros pastores.





Relacionadas
SMT leva conscientização sobre segurança viária ao Rally da Mulher em Senador Canedo
Três pessoas ficam feridas após marquise desabar sobre ponto de ônibus
Filho morre soterrado após túmulo do pai desabar em cemitério no MT