O contingenciamento de recursos promovido pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva atingiu diretamente as operações do Exército na faixa de fronteira e levou à suspensão de ações de monitoramento e combate ao crime organizado em áreas estratégicas do país.
A medida ocorre justamente no momento em que os Estados Unidos passaram a classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, ampliando a pressão internacional sobre o avanço das facções brasileiras.
O bloqueio no orçamento da Defesa chegou a R$ 4,3 bilhões. Desse total, cerca de R$ 1,5 bilhão seria destinado ao Exército, responsável por operações de vigilância e repressão a atividades criminosas em regiões de fronteira.
Segundo a CNN, fontes ligadas às operações, a falta de recursos obrigou a interrupção de missões que vinham sendo executadas em áreas consideradas sensíveis para a segurança nacional.
Militares destacam que grande parte das atividades do PCC e do Comando Vermelho está concentrada justamente nas fronteiras brasileiras, utilizadas para tráfico de drogas, contrabando, garimpo ilegal, transporte de armas e outras atividades criminosas.
As ações são coordenadas principalmente pelo Comando Militar da Amazônia e pelo Comando Militar do Oeste, responsáveis por áreas que fazem divisa com países produtores de cocaína e rotas estratégicas utilizadas por organizações criminosas.
A principal operação afetada é a Ágata, considerada uma das maiores iniciativas de combate ao crime organizado nas regiões de fronteira.
Somente neste ano, a operação apreendeu mais de 15 toneladas de drogas durante ações realizadas na Amazônia. As forças militares também neutralizaram 62 dragas utilizadas no garimpo ilegal e interromperam as atividades de 117 balsas empregadas em operações clandestinas.
A suspensão das atividades gerou preocupação dentro das Forças Armadas, que avaliam as fronteiras como um dos principais pontos de atuação das facções criminosas no país.
O corte acontece em meio ao aumento das discussões sobre segurança pública e crime organizado, temas que devem ocupar posição central no debate político e eleitoral dos próximos meses.
Enquanto o governo brasileiro contesta a decisão americana de classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas, a interrupção das operações militares na fronteira abre um novo foco de críticas à política de segurança adotada pelo Palácio do Planalto.
Procurado para comentar a suspensão das ações, o Ministério da Defesa não se manifestou.


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