Viúva só descobriu dívida de quase R$ 1 milhão depois que policial morreu após vício em bets, em Goiânia

Raquel Maria, viúva do tenente da Polícia Militar de Goiás, Danilo Lopes Negrão, que morreu aos 41 anos após desenvolver vício em bets, relatou o caso nas redes sociais na última segunda-feira (22). O policial acumulou quase R$ 1 milhão em dívidas com apostas online iniciadas durante a Copa do Mundo de 2022. Segundo ela, ele teve um quadro de depressão e cometeu suicídio em 2023. No vídeo, a enfermeira afirma que quer ajudar outras famílias com o seu relato. “A tragédia é real, é uma tragédia anunciada. Se você puder parar, pare de jogar. Espero muito que vocês não joguem mais. Eu sei que é tentador ver que, de alguma forma você pode ganhar um dinheiro, mas não, uma hora vai dar ruim”, disse. O tenente deixou uma filha de 5 anos do casal.

Como pedir ajuda

Segundo Raquel, Danilo ficou viciado em apostas esportivas e não nos jogos on-line, de cassino, como Tigrinho e Aviãozinho.

A ludopatia (transtorno relacionado ao vício em jogos de azar) foi adquirida pelo esposo antes da regulamentação do mercado de apostas esportivas e jogos on-line, pela Lei 14.790/2023. Desde o início do mercado regulado, em 2025, as plataformas legalizadas, ou seja, que possuem autorização do Ministério da Fazenda para funcionarem no Brasil, possuem uma ferramenta de autoexclusão, que permite que o apostador bloqueie o próprio acesso. Ela não existe em sites clandestinos.

Além disso, o Ministério da Fazenda, que regula o setor, lançou, em dezembro de 2025, a Plataforma Centralizada de Autoexclusão, pela qual o CPF da pessoa pode ser bloqueado em todos os sites de apostas.

O Ministério da Saúde alerta que, ao perceber sinais de compulsão, seja por parte da própria pessoa ou de um familiar, é preciso procurar ajuda. Os caminhos para recebimento de apoio estão descritos no Guia de Cuidado para Pessoas com Problemas Relacionados a Jogos de Apostas, elaborado pelo ministério.