Filme de Bolsonaro: documento cita ‘Mário’ como sócio nos EUA

Organograma cita “Mário” como sócio de produtora de “Dark Horse” nos EUA

Uma apreensão realizada pela Polícia Civil de São Paulo revelou um organograma que aponta um indivíduo identificado apenas como “Mário” como participante societário da Go Up Entertainment nos Estados Unidos. A empresa é a produtora responsável por Dark Horse, obra cinematográfica sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Detalhes do documento apreendido em operação

O material foi confiscado durante as diligências da Operação Wi-Fi Livre SP, ação que apura suspeitas de irregularidades em um contrato superior a R$ 100 milhões firmado pela Prefeitura de São Paulo com o ICB (Instituto Conhecer Brasil). A entidade é presidida por Karina Ferreira da Gama, que também integra o quadro societário da filial brasileira da Go Up.

Recolhido em um endereço atribuído a Karina no bairro da Brasilândia, zona norte da capital paulista, o esquema conecta graficamente “GOUP BR” à “GOUP USA”. Abaixo da divisão norte-americana, uma seta aponta para o termo “sócio Mário”. O diagrama cita ainda o ICB, a Academia Nacional de Cultura e termos como “lucro”, “distribuição”, “contrato social” e “eleição”. O autor do esboço e o sobrenome de Mário não foram especificados no inquérito.

Relações com Mário Frias e foco das investigações

Nos registros oficiais, Michael Davis figura como o titular da Go Up no território norte-americano. Por outro lado, o deputado federal Mário Frias (PL-SP) atua como roteirista e produtor-executivo de Dark Horse, mantendo relacionamento próximo com Karina e com as entidades dirigidas por ela.

Frias e Karina foram alvos recentes de mandados judiciais em apuração sobre o suposto desvio de recursos públicos de emendas parlamentares. A Polícia Federal identificou fluxos financeiros entre a produtora do longa e pessoas jurídicas que receberam verbas do ICB por meio de emendas indicadas pelo próprio parlamentar.

Outras frentes de apuração financeira

O inquérito sobre o ICB, inicialmente voltado aos serviços de instalação e manutenção de rede de internet sem fio na capital paulista, acabou por englobar os recursos injetados na produção cinematográfica.

A captação de recursos para a realização do filme também é acompanhada em outra frente de apuração, voltada a valores repassados pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) já declarou publicamente ter pedido suporte financeiro ao empresário para custear o projeto.