O ex-chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ganhou uma hospedagem de réveillon em Paraty (RJ) durante as negociações de um contrato entre a Unigel e a Petrobras.
Segundo o jornal O Globo, mensagens obtidas pela Polícia Federal (PF) mostram que Leo Slezynger, herdeiro da empresa de fertilizantes, pagou parte da estadia de R$ 32,7 mil.
A lobista Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha, intermediou a reserva. Ela pagou a entrada de R$ 13,6 mil, enquanto Slezynger quitou os R$ 19 mil restantes. As conversas mostram que Roberta não queria vincular o pagamento aos cartões dela ou do empresário.
Além disso, a lobista também ofereceu um carro blindado para a família de Marcola e disse que deixaria seu cartão no hotel para as despesas durante a viagem.
A PF investiga se Marcola atuou em favor da Unigel na assinatura do contrato, em 29 de dezembro de 2023. O acordo previa o fornecimento de gás natural pela Petrobras em troca de fertilizantes. A cúpula da estatal, porém, resistia à proposta devido ao risco de prejuízo financeiro.
Mensagens sobre a hospedagem de Marcola
Em 27 de novembro de 2023, Roberta escreveu a Slezynger sobre a reserva: “Paguei a entrada e agora tem o restante”. Na mesma mensagem, ressaltou o papel de Marcola: “Marcola eh a figura mais importante tá”, escreveu. “Vamos precisar dele por mto tempo”.
Em áudio enviado ao ex-chefe de gabinete, a lobista demonstrou preocupação com a possibilidade de ele pagar pela hospedagem: “Deus me livre se o Leo souber que você gastou qualquer centavo nisso daí ele me mata”.
Roberta pediu a Marcola que procurasse o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, para tratar da Unigel. Ele respondeu que tinha uma reunião marcada com o ministro antes de um contato de Silveira com Lula.
Em outras mensagens, a lobista atribuiu a conclusão do contrato à atuação do governo. “Só estão assinando esse tolling porque houve intervenção direto [sic] do presidente”, escreveu. A investigação integra um inquérito sigiloso relatado pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que também envolve Fábio Luís da Silva, o Lulinha, filho mais velho de Lula.
Respostas dos citados
A defesa de Marcola afirmou que a hospedagem fazia parte de um empréstimo pessoal concedido por Roberta e quitado com correção monetária, em um total de R$ 249 mil. Ele negou ter usado o carro blindado ou atuado em favor de interesses privados na chefia de gabinete.
O Ministério de Minas e Energia afirmou que Silveira nunca recebeu de Marcola pedido de interferência em assuntos da pasta. Lula negou ter discutido o contrato com os citados. O advogado de Roberta, Roberto Podval, classificou o vazamento das mensagens como criminoso. A defesa de Lulinha disse que não teve acesso ao inquérito. Slezynger não respondeu aos contatos de O Globo.


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