O debate sobre a proposta de Lula de limitar a quantidade de cartões de crédito por pessoa ganha contornos ainda mais preocupantes diante do perfil de consumo das famílias endividadas: levantamento da CNC referente a setembro de 2024 apontou que 30% dos consumidores endividados no cartão utilizavam essa modalidade para despesas como alimentação, roupas e calçados.
Nesse cenário, atribuir o problema simplesmente a supostos gastos “supérfluos” significa ignorar que, para uma parcela das famílias, o cartão funciona como instrumento para atravessar o mês e pagar necessidades básicas.
O próprio material de educação financeira da Caixa reconhece que o cartão pode ser uma ferramenta útil para comprar e parcelar, embora o uso sem planejamento possa gerar endividamento.
A proposta de Lula, portanto, pode ser questionada justamente por colocar o foco na restrição ao consumidor, em vez de enfrentar as causas do endividamento, como renda insuficiente, custo de vida e juros elevados.
Em vez de presumir que o brasileiro se endivida porque “gasta demais”, o debate deveria considerar a realidade de famílias que recorrem ao crédito para conseguir pagar despesas essenciais.

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