A derrocada de Tebet e Marina: ex-ministras de Lula sofrem derrota histórica em SP

A derrocada de Tebet e Marina: ex-ministras de Lula sofrem derrota histórica em SP

A disputa pelas duas vagas que estavam em jogo no Senado por São Paulo foi marcada por uma vitória avassaladora dos candidatos apoiados pelo governador do Estado, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e pela derrota fragorosa das ex-ministras Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede).

O candidato mais votado na corrida pelo Senado foi Guilherme Derrite (PP), que obteve 13,2 milhões de votos, o que representou 30,59% dos válidos. A segunda vaga foi de André do Prado (PL), com 12,7 milhões de votos (29,28%).

Ex-ministra do Planejamento e Orçamento do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Simone Tebet amargou apenas a terceira colocação, com 8,3 milhões de votos (19,23%), seguida pela ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva, com 7,8 milhões de votos (18,12%).

Ex-senadoras, ex-ministras e ex-candidatas à Presidência

Simone Tebet e Marina Silva foram apostas pessoais de Lula para fortalecer a chapa liderada por Fernando Haddad, candidato do PT ao governo de São Paulo, que sofreu mais uma derrota para Tarcísio de Freitas na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes.

Tebet ocupou o Ministério do Planejamento e Orçamento no terceiro mandato de Lula, mas se manteve à sombra do então ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e não teve protagonismo. Marina, por sua vez, voltou a ocupar o Ministério do Meio Ambiente, cargo que já havia exercido no primeiro mandato de Lula.

A pedido do petista, Simone mudou de partido (deixou o MDB e foi para o PSB) e transferiu o domicílio eleitoral dE Mato Grosso do Sul para São Paulo. Mas a estratégia não funcionou. Marina, eleita deputada federal no Estado em 2022, tentou alçar voos maiores com a candidatura ao Senado, também sem sucesso.

Tanto Simone quanto Marina já foram senadoras da República, respectivamente por Mato Grosso do Sul e pelo Acre. As duas também disputaram a Presidência da República: Tebet, uma vez, em 2022, e Marina, três vezes, em 2010, 2014 e 2018.

Simone Tebet nasceu em Três Lagoas (MS), tem 56 anos e é advogada e professora. Ela é filha do ex-presidente do Senado e ex-governador de Mato Grosso do Sul Ramez Tebet (1936-2006).

Tebet é formada em Direito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), especialista em ciência do Direito pela Escola Superior de Magistratura e mestre em Direito do Estado pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

A ex-ministra começou sua trajetória acadêmica em 1992 e trabalhou em instituições de ensino, como a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, a Universidade Católica Dom Bosco, a Universidade para o Desenvolvimento do Estado e Região do Pantanal e as Faculdades Integradas de Campo Grande.

Na política, Simone Tebet foi eleita pela primeira vez em 2002, para deputada estadual por Mato Grosso do Sul, mandato que exerceu por apenas dois anos, de 2003 a 2004. Naquele ano, Tebet venceu a eleição para a Prefeitura de Três Lagoas (MS) e estreou no Poder Executivo. Em 2008, foi reeleita para o segundo mandato à frente do município sul-matogrossense.

Tebet deixou a prefeitura antes do fim do segundo mandato, em 2010, para disputar a eleição estadual como candidata a vice-governadora na chapa encabeçada por André Puccinelli. Eleita, tornou-se a primeira mulher vice-governadora de Mato Grosso do Sul. Em 2013, Simone Tebet passou a exercer dupla função, ao assumir também a Secretaria de Governo do Estado.

Em 2014, Tebet se candidatou ao Senado por Mato Grosso do Sul e foi eleita com mais de 640 mil votos para um mandato de oito anos. Em 2018, ela se tornou líder da bancada do MDB na Casa e, em 2019, presidente da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), a mais importante do Senado.

Em 2022, Simone Tebet foi candidata à Presidência da República pelo MDB. Ela terminou a disputa em terceiro lugar, com cerca de 4,9 milhões de votos (4,16%), atrás apenas de Lula e Jair Bolsonaro no primeiro turno. No segundo turno, declarou apoio a Lula.

Em janeiro de 2023, Tebet assumiu o Ministério do Planejamento e Orçamento do governo Lula, no qual ficou até março de 2026, quando deixou o cargo para disputar a eleição. A pedido de Lula, ela deixou o MDB depois de quase 30 anos no partido e migrou para o PSB.

A trajetória de Marina Silva (Rede)

Natural de Rio Branco, capital do Acre, Marina Silva tem 68 anos e é historiadora, professora e ambientalista. Nascida em um seringal, ela se mudou para a capital do Estado durante a adolescência e lá foi alfabetizada.

Marina se formou em história pela Universidade Federal do Acre. Ela participou da fundação da Central Única dos Trabalhadores (CUT) no Estado e se filiou ao PT em meados da década de 1980. Ao lado de Chico Mendes, ajudou a liderar o movimento sindical e se elegeu para seu primeiro cargo político em 1988, como vereadora em Rio Branco.

Em 1990, Marina foi eleita deputada estadual pelo Acre e, em 1994, venceu a eleição para o Senado. Reeleita em 2002, foi convidada por Lula para assumir o Ministério do Meio Ambiente em seu primeiro governo, em 2003.

Marina comandou a pasta até 2008, quando deixou o governo por divergências com Lula e a então ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), a respeito da concessão de licenças ambientais. Em 2009, Marina se desfiliou do PT e migrou para o Partido Verde (PV), pelo qual disputaria pela primeira vez a Presidência da República, em 2010.

No primeiro turno daquela eleição, Marina terminou em terceiro lugar, com mais de 19 milhões de votos. Quatro anos depois, em 2014, ela disputaria o Planalto novamente, desta vez pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB), depois da morte do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, que era o titular da chapa. Marina voltou a terminar na terceira colocação, com 22 milhões de votos, atrás de Dilma e Aécio Neves (PSDB). No segundo turno, declarou apoio a Aécio, depois de ser fortemente atacada pela campanha do PT durante a campanha.

Em 2015, Marina conseguiu registrar seu novo partido, a Rede Sustentabilidade, pelo qual disputou as eleições presidenciais de 2018. Em sua terceira tentativa de chegar ao Planalto, a ex-ministra do Meio Ambiente fracassou: teve pouco mais de 1 milhão de votos (1%) e terminou em oitavo lugar.

Nas eleições de 2022, Marina Silva foi candidata e se elegeu deputada federal pelo Estado de São Paulo, com 237,5 mil votos. Mas acabou não exercendo o mandato: em 2023, Lula, de volta ao Palácio do Planalto, a convidou novamente para ser ministra do Meio Ambiente. Ela permaneceu à frente da pasta até março de 2026, quando deixou o cargo para disputar uma vaga no Senado por São Paulo.