Bancadas de oposição no Congresso Nacional intensificaram as articulações para viabilizar a abertura de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) voltada a apurar denúncias feitas pela lobista Roberta Luchsinger que envolvem Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. O requerimento, de autoria da deputada federal Coronel Fernanda (PL-MT), conta com o apoio enfático da senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e virou prioridade entre as lideranças oposicionistas em Brasília.
Foco em tráfico de influência e suspeitas no INSS
O objetivo do colegiado é passar a limpo acusações de tráfico de influência, corrupção, favorecimento indevido, conflito de interesses e o suposto aparelhamento da máquina pública para atender demandas privadas. O movimento parlamentar ganhou força após declarações públicas de Luchsinger sobre sua interlocução com Lulinha e integrantes do primeiro escalão do governo federal.
Tanto a lobista quanto o filho do presidente são investigados pela Polícia Federal no âmbito da Operação Sem Desconto, que mira um rombo bilionário em fraudes contra o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A proposta de CPI mista prevê esmiuçar atos administrativos, agendas e transferências financeiras, com atenção especial a encontros de Lulinha com ministros — incluindo uma ida à casa de Camilo Santana no Ceará — e aos vínculos de Roberta com Antonio Camilo, conhecido como “Careca do INSS”.
Assinaturas necessárias para a instalação
Para que o requerimento avance e a comissão seja formalmente instaurada, os parlamentares precisam atingir o quórum mínimo constitucional: o endosso de pelo menos 171 deputados federais e 27 senadores.
Ofensiva inclui pedido de proteção e convocação de ministro
Além da pressão pela CPMI, a ala de oposição mobilizou diversas frentes para requerer que Roberta Luchsinger seja inserida com urgência no programa de proteção à testemunha. A solicitação foi encampada publicamente pelo senador eleito Marcel van Hattem (Novo-RS), ao lado dos deputados Luciano Zucco (PL-RS) e Sanderson (PL-RS), sob o argumento de que a depoente e suas filhas enfrentam ameaças reais à integridade física.
Na Câmara, o líder da oposição, deputado Cabo Gilberto Silva (PL-RJ), formalizou petições de segurança perante a Procuradoria-Geral da República (PGR), a Polícia Federal e o Ministério da Justiça. Silva também protocolou um pedido formal de esclarecimentos à pasta da Justiça — sujeito a prazo de resposta de 30 dias sob pena de crime de responsabilidade —, solicitou a ida do ministro à Comissão de Segurança Pública e requereu a realização de audiências públicas nas comissões de Direitos Humanos e dos Direitos da Mulher.
O avanço das assinaturas e os pedidos de esclarecimento prometem ampliar a temperatura das cobranças contra a base governista nas comissões do Legislativo ao longo das próximas semanas.



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