Boletim Focus: Inflação sobe para 2027 e projeção do PIB recua

Mercado não muda estimativa de inflação para 2026, mas sobe a de 2027

O mercado financeiro revisou para cima as expectativas de inflação para o próximo ano e reduziu as estimativas de crescimento econômico para o país. As projeções atualizadas mostram ainda que o índice de preços de 2026 deve romper o teto estipulado para a meta oficial.

Pressão inflacionária e descumprimento da meta

A previsão para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2026 permaneceu estacionada em 5,22%. O patamar segue acima do limite superior estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), cuja meta central é de 3% com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual (entre 1,5% e 4,5%). Com isso, os economistas mantêm o cenário de estouro da meta para este calendário.

Para 2027, a estimativa do IPCA avançou de 4,3% para 4,32%. Em contrapartida, as projeções para 2028 apresentaram alívio, caindo de 3,79% para 3,75%.

Crescimento do PIB sofre revisões para baixo

As apostas para a atividade econômica nacional perderam fôlego em todo o horizonte da pesquisa. A estimativa de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) para 2026 recuou de 1,85% para 1,83%. A desaceleração ocorre após a economia brasileira ter avançado 2,3% em 2025, segundo dados oficiais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O movimento de desaquecimento também atingiu os anos seguintes. A projeção do PIB de 2027 baixou de 1,4% para 1,32%, enquanto a expectativa para 2028 passou de 1,83% para 1,81%.

Panorama para taxa Selic e cotação do dólar

No segmento de política monetária, o consenso sobre a taxa básica de juros (Selic) ficou inalterado. O mercado projeta a taxa em 13,25% ao ano no término de 2026, descendo para 12% ao fim de 2027 e alcançando 10,5% em 2028. Atualmente fixada em 13,75% após o corte promovido em setembro, a Selic segue como o mecanismo primário do Banco Central para conter a circulação monetária e segurar os preços, com nova reunião do Copom agendada para o início de novembro.

Já no mercado cambial, a perspectiva para o dólar apresentou melhora generalizada:

  • 2026: recuo de R$ 5,15 para R$ 5,13;
  • 2027: queda de R$ 5,26 para R$ 5,22;
  • 2028: ajuste de R$ 5,30 para R$ 5,29.

As oscilações captadas no levantamento refletem a constante calibragem do mercado em relação ao ritmo da atividade doméstica, às taxas de juros globais e ao controle fiscal necessário para ancorar as expectativas de longo prazo.