Os mercados financeiros brasileiros enfrentaram dias de forte turbulência no primeiro ciclo de negociações após a confirmação da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O aumento das incertezas quanto à condução fiscal e à montagem do novo ministério econômico desencadeou uma onda de aversão ao risco, derrubando a Bolsa de Valores e impulsionando a cotação das moedas estrangeiras.
Dólar atinge maior valorização semanal desde a crise de 2008
O dólar comercial disparou mais de 9% no acumulado dos últimos cinco dias, anotando a ascensão semanal mais expressiva desde o auge da crise financeira global, em 24 de outubro de 2008. Apenas na sexta-feira (30), a moeda norte-americana avançou 1,05%, finalizando o pregão cotada a R$ 5,44, após transitar entre a mínima de R$ 5,38 e o pico de R$ 5,46.
A moeda europeia seguiu a mesma trajetória de fortalecimento. O euro comercial encerrou a sessão com valorização de 1,12%, negociado a R$ 6,08.
Ibovespa registra semana mais negativa desde a pandemia
O Ibovespa acumulou uma desvalorização de quase 18% ao longo da semana, marcando o pior desempenho para o período desde março de 2020, quando os mercados sofreram o choque inicial da pandemia de covid-19. Com a sequência negativa, o índice fechou o mês de outubro com baixa de aproximadamente 9,9%.
No encerramento da semana, o principal índice acionário da B3 recuou 0,75%, estabelecendo-se aos 167.922 pontos — a quinta sessão consecutiva de perdas. A oscilação diária variou entre 167.008 e 169.185 pontos. O tombo só não foi mais expressivo porque os papéis de gigantes como Petrobras e Vale operaram no terreno positivo, amenizando parte das perdas do índice.
Curva de juros futuros dispara com receios fiscais e inflação
A instabilidade sobre a responsabilidade fiscal do futuro mandato provocou forte reprecificação na curva de juros. Os agentes de mercado ampliaram os prêmios exigidos nos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI), pressionados também pelo encarecimento do petróleo e da moeda americana, fatores que elevam as projeções de inflação.
Entre os principais vencimentos negociados:
O contrato de DI para janeiro de 2028 avançou de 14,37% para 14,48%.
A taxa para janeiro de 2029 subiu de 14,80% para 14,96%.
O vencimento para janeiro de 2031 passou de 15,15% para 15,26%.
Vale pontuar que essas variações refletem o humor dos investidores e o custo do dinheiro no mercado futuro, sem configurar alteração direta na taxa Selic pelo Banco Central.
Cenário externo desfavorável intensifica perdas
Para além dos ruídos internos, o ambiente internacional contribuiu para deteriorar o sentimento dos investidores. Em Nova York, os balanços trimestrais de grandes companhias de tecnologia decepcionaram, enquanto declarações duras de autoridades do Federal Reserve sinalizaram a permanência de juros altos por tempo prolongado.
Como reflexo, as bolsas dos Estados Unidos fecharam no vermelho: o Nasdaq derreteu 2,86% (aos 25.437 pontos), o S&P 500 caiu 1,82% (aos 7.579,82 pontos) e o índice Dow Jones recuou 1,09% (aos 51.771,14 pontos), completando um quadro de pessimismo generalizado para os ativos de risco.




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