Sucessão na Alesp gera racha no PL e incomoda Tarcísio

André do Prado enfrenta resistência na sucessão da Alesp

A corrida pelo comando da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) deflagrou uma crise interna no Partido Liberal. Prestes a assumir uma cadeira no Senado, o atual líder do Legislativo paulista, André do Prado, encontrou forte oposição de seus correligionários ao tentar apadrinhar dois parlamentares estreantes na disputa pelo comando da Casa de Leis.

Bancada reage à indicação de deputados de primeiro mandato

Para manter sua liderança política na Alesp, Prado tem defendido os nomes dos ex-prefeitos Rogério Franco (Cotia) e Rodrigo Ashiuchi (Suzano), ambos eleitos para estrear no Parlamento estadual em 2027. O movimento, no entanto, gerou forte descontentamento entre veteranos da bancada, que saltou de 21 para 27 deputados nas últimas eleições, mantendo-se como a maior representação da Casa.

Em reunião recente que reuniu 15 deputados da legenda, a maioria rejeitou o apoio a parlamentares em início de trajetória legislativa. Deputados avaliam articular um abaixo-assinado para assegurar que a indicação recaia sobre um político reeleito. Entre as alternativas cotadas internamente figuram Marcos Damasio, Ricardo Madalena, Tenente Coimbra, Alex de Madureira, Thiago Auricchio e Dani Alonso, esta última vista com bons olhos por Michelle Bolsonaro.

Além da preferência por experiência, os parlamentares querem firmar um compromisso formal contra a reeleição da presidência — benefício que havia sido instituído por meio de alteração na Constituição Estadual durante a gestão de Prado.

Apesar da insatisfação com a atuação direta de Prado na campanha de seus indicados para preservar cargos e poder, alguns correligionários ainda pregam o diálogo. O líder da bancada, Alex de Madureira, declarou que seguirá as orientações traçadas em conjunto por Valdemar Costa Neto, Tadeu Candelária e André do Prado. A meta é definir o candidato oficial entre o fim de novembro e meados de dezembro.

Palácio dos Bandeirantes monitora riscos de instabilidade

O governador Tarcísio de Freitas, peça fundamental na eleição de Prado para o Senado, acompanha com reserva as negociações. Interlocutores governistas apontam que as articulações agressivas do atual presidente causaram desconforto no Executivo, que prefere um nome mais alinhado à governabilidade, como o líder governista Gilmaci Santos (Republicanos) ou o próprio Madureira.

O Republicanos mantém atenção redobrada ao cenário e também cogita apresentar o nome de Danilo Campetti, figura próxima de Tarcísio e da família Bolsonaro, que possui boa interlocução com diversas correntes partidárias. A preocupação central da gestão estadual é que a condução da Alesp caia nas mãos de parlamentares sem experiência para conter perfis influenciadores focados em embates para redes sociais, o que poderia paralisar as pautas do Executivo.

PT estrutura candidatura à Primeira Secretaria

Seguindo o tradicional acordo de proporcionalidade parlamentar, o Partido dos Trabalhadores, dono da segunda maior bancada, deve pleitear a Primeira Secretaria da Mesa Diretora. O partido agendou reuniões para avaliar o cenário enquanto aguarda o desfecho das divisões no PL.

Lideranças petistas, como o deputado Paulo Fiorilo, destacam que a liderança da Mesa necessita de preparo regimental para coibir tumultos no plenário. Para a Primeira Secretaria, além de Fiorilo, a bancada de oposição analisa nomes como Teonilio Barba, Professora Bebel, Emídio de Souza, Rômulo Fernandes e Thainara Faria. A eleição oficial para a Mesa Diretora da Alesp será realizada em fevereiro.