Santiago Peña: Justiça decreta prisão de ex-presidente paraguaio

Justiça decreta prisão preventiva de ex-presidente do Paraguai

Um dia após ter o mandato cassado pelo Senado, o ex-presidente do Paraguai Santiago Peña teve a prisão preventiva decretada neste sábado (7). A decisão foi tomada pelo juiz Humberto Otazú no âmbito das apurações sobre a derrocada financeira do Ueno Bank, instituição que gerenciava recursos públicos e contava com uma base de milhões de correntistas. Por determinação judicial, Peña ficará detido nas instalações do Regimento de Escolta Presidencial, unidade do Exército situada na capital, Assunção.

Fundamentos da prisão e acusações do Ministério Público

A Procuradoria paraguaia formalizou denúncia contra o ex-chefe de Estado pelos crimes de lesão de confiança e administração em proveito próprio. De acordo com os promotores, Peña teria se valido do poder do cargo máximo do Executivo para direcionar e manter investimentos de estatais e órgãos governamentais no Ueno Bank, grupo com o qual manteve ligação societária direta até março de 2025, quando era acionista da Ueno Holding.

Ao acolher o pedido de detenção, o magistrado ressaltou que a medida cautelar visa conter o risco de fuga e garantir a continuidade das investigações em território nacional. Otazú também ponderou o acesso privilegiado a informações sigilosas de Estado detidas por Peña, especialmente relativas à estabilidade do sistema financeiro e ao enfrentamento ao crime organizado.

Queda do governo e crise bancária

O cenário político do país vizinho se desestabilizou rapidamente. Na sexta-feira (6), o Senado aprovou a destituição de Peña diante do aprofundamento das apurações sobre o rombo na instituição financeira. Com o afastamento definitivo, o vice-presidente Pedro Alliana assumiu o Executivo para cumprir o restante do mandato presidencial.

A derrocada do Ueno Bank começou a se desenhar no início de novembro, momento em que o Banco Central do Paraguai realizou uma intervenção direta após constatar graves falhas nos índices de solvência. O bloqueio repentino prejudicou milhões de usuários e demandou o acionamento de mecanismos estatais de garantia de depósitos para viabilizar o ressarcimento dos valores. Paralelamente, os investigadores apuram a ampliação irregular de aportes oriundos de fundos de pensão públicos na entidade durante a gestão de Peña.

Investigação atinge cúpula do Banco Central

O processo judicial também mira a antiga direção da autoridade monetária do país. O ex-presidente do Banco Central Carlos Carvallo foi acusado formalmente por lesão de confiança, administração em benefício próprio e falsificação de documentos públicos. O Ministério Público já requereu a prisão preventiva de Carvallo, mas o pedido ainda aguarda manifestação da Justiça.

Silêncio diante dos promotores e estratégia jurídica

Neste sábado, Peña esteve na sede do Ministério Público acompanhado por seu defensor, o advogado Ricardo Preda. Durante o interrogatório, o ex-mandatário exerceu o direito constitucional de permanecer em silêncio.

A defesa refutou qualquer irregularidade na conduta de Peña. Segundo Preda, o ex-governante está disposto a fornecer os esclarecimentos necessários ao longo do processo penal e a expectativa de sua assessoria jurídica é de que as investigações sejam concluídas com o arquivamento definitivo das imputações.