Uma parcela expressiva do eleitorado nacional mantém forte ceticismo em relação às instituições políticas: 16% dos brasileiros afirmam que o país não vive sob um regime democrático. Além disso, metade da população (50%) avalia que o Brasil é uma democracia que carrega grandes defeitos, enquanto 23% identificam apenas falhas pontuais e somente 7% consideram o sistema plenamente democrático.
Estabilidade na desconfiança e histórico de dez anos
Os números apurados em levantamento realizado nos dias 13 e 14 de outubro revelam um cenário de estabilidade na percepção popular. O diagnóstico repete o patamar visto em março de 2024, quando os mesmos 16% rejeitavam a existência de uma democracia no território nacional. Naquela ocasião, 46% apontavam falhas graves, 28% viam problemas menores e 6% classificavam a situação como plena.
O cenário atual, contudo, difere do panorama registrado há uma década. Em fevereiro de 2014, sob a repercussão das manifestações de rua de 2013 e no início da disputa presidencial daquele ano, apenas 9% diziam que o país não era democrático. Por outro lado, o grupo que enxergava grandes problemas no sistema era superior ao atual, somando 61%, acompanhado por 21% que viam pequenas falhas e 3% de avaliações de plenitude.
Divisão ideológica e o debate eleitoral
A discussão a respeito da solidez institucional ganhou protagonismo recente na corrida presidencial. O tema foi puxado pelo senador Flávio Bolsonaro, após terminar o primeiro turno de 6 de outubro com 1,87 ponto percentual à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O parlamentar, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro — condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado —, declarou a intenção de aprovar reformas constitucionais para “redemocratizar o Brasil”.
Especialistas e analistas institucionais contestam o questionamento à legitimidade do sistema, destacando que a normalidade do Estado de Direito permanece assegurada desde o término do regime militar, em 1985, com a manutenção ininterrupta de eleições livres e regulares a partir de 1989.
Como pensam os eleitores de cada candidato
O nível de confiança no regime varia de forma nítida conforme a preferência de voto dos entrevistados:
Entre os eleitores que apoiam Flávio Bolsonaro (grupo que representa 46% do eleitorado consultado), 23% afirmam taxativamente que o Brasil não é uma democracia, e apenas 2% acreditam em sua plenitude.
Já entre os eleitores alinhados a Lula (fatia de 44% na sondagem, caracterizando empate técnico), a taxa dos que desacreditam totalmente da democracia cai para 8%, ao passo que 12% avaliam que o regime funciona de maneira plena.
A pesquisa consultou presencialmente 2.520 eleitores em diversas regiões do país. A margem de erro estimada é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o estudo conta com registro oficial junto à Justiça Eleitoral sob o número BR-0466/2026.



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