Após o governo federal anunciar um bloqueio de R$ 31 bilhões no Orçamento — dos quais R$ 2,6 bilhões atingem diretamente a Defesa —, as Forças Armadas alertam para um cenário de colapso operacional. Segundo militares, a situação nos quartéis é crítica: há dificuldades até para pagar contas de luz e água, e a Força Aérea Brasileira (FAB) enfrenta escassez de combustível para manter aeronaves em operação.
Em nota, o Ministério da Defesa apontou que o corte compromete a manutenção de tropas, a compra de munições, o funcionamento de unidades militares e até mesmo contratos já firmados, o que pode gerar multas e repactuações. O temor maior é que a falta de recursos afete a capacidade de resposta em situações de emergência, como no caso das enchentes no Rio Grande do Sul.
Mesmo com as restrições, o Exército tenta manter projetos estratégicos, como a aquisição de armamentos de ponta, drones, mísseis e 12 helicópteros Black Hawk, que custam R$ 150 milhões cada. O problema, no entanto, não é novo: crises financeiras semelhantes ocorreram nas gestões de FHC e Bolsonaro.
O impasse atual é agravado por tensões políticas, já que as Forças estão sob investigação por suposta participação em uma tentativa de golpe em 2022. A percepção nos quartéis é de que há má vontade do governo Lula em melhorar as condições da tropa.
O orçamento da Defesa, de R$ 133 bilhões em 2024, é o quinto maior entre os ministérios, mas mais de 80% da verba vai para salários e pensões — cerca de R$ 30 bilhões para ativos, R$ 30 bilhões para inativos e o restante para pensionistas —, deixando pouco espaço para investimentos, hoje no nível mais baixo da década. O Ministério da Fazenda condiciona reforços orçamentários à aprovação de mudanças nas regras de aposentadoria dos militares, tema que segue travado no Congresso.





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