Mesmo no período de estiagem, o mosquito transmissor da dengue, chikungunya e zika continua encontrando condições para se reproduzir dentro das residências
Com a chegada do período de estiagem, muitas pessoas acreditam que o risco de contrair dengue, chikungunya e zika diminui. No entanto, o Hospital Estadual de Doenças Tropicais Dr. Anuar Auad (HDT) alerta que os cuidados para eliminar os criadouros do Aedes aegypti devem ser mantidos durante todo o ano. A prevenção continua sendo a principal forma de evitar a transmissão dessas doenças e depende da participação da população.
Embora as chuvas favoreçam a proliferação do mosquito, seus ovos podem permanecer viáveis por mais de um ano em superfícies secas, aguardando apenas o contato com a água para eclodirem. Durante a estiagem, também é comum que as pessoas armazenem água em caixas d’água, tonéis e outros recipientes.
Quando esses reservatórios não estão devidamente vedados, tornam-se locais ideais para a reprodução do mosquito. Segundo o infectologista do HDT, Dr. Luiz Felipe Silveira Sales, a maior parte dos focos do Aedes aegypti está dentro ou ao redor das residências. Por isso, medidas simples adotadas no dia a dia fazem diferença no combate ao vetor. A orientação é manter caixas d’água tampadas, eliminar recipientes que acumulem água e realizar inspeções frequentes em quintais, jardins e áreas externas.
Outr os cuidados importantes incluem limpar calhas e ralos, colocar areia nos pratos de vasos de plantas e descartar corretamente pneus, garrafas e demais materiais que possam acumular água. Uma vistoria semanal de poucos minutos é suficiente para identificar possíveis criadouros e interromper o ciclo de reprodução do mosquito. A colaboração da população é fundamental para reduzir o risco de transmissão das arboviroses.
Vacinação complementa a prevenção
Além da eliminação dos criadouros, a vacinação é uma importante medida de proteção contra a dengue. Pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a vacina Qdenga está disponível para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, conforme a estratégia definida pelo Ministério da Saúde. O esquema vacinal é composto por duas doses, com intervalo de três meses entre elas.
“O período de menor circulação da doença é uma oportunidade para conferir a caderneta de vacinação e completar o esquema vacinal. Quem recebeu apenas a primeira dose deve retornar à unidade de saúde para concluir a imunização. É importante lembrar que a vacina complementa, mas não substitui, as ações de eliminação dos criadouros”, orienta o infectologista.
O especialista destaca ainda que a vacina não protege contra chikungunya e zika, doenças que também são transmitidas pelo Aedes aegypti. Por isso, os cuidados para evitar a proliferação do mosquito devem ser mantidos durante todo o ano. A prevenção continua sendo a forma mais eficaz de reduzir a circulação dessas arboviroses.
Atenção aos sintomas
Os principais sintomas da dengue são febre alta, dor de cabeça, dores no corpo e nas articulações, dor atrás dos olhos, náuseas e manchas avermelhadas na pele. Em casos de agravamento, com dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramentos, dificuldade para respirar ou sensação de desmaio, a orientação é procurar imediatamente uma unidade de saúde para avaliação médica.
Mesmo durante a seca, o Aedes aegypti continua circulando e pode encontrar condições favoráveis para se reproduzir dentro das residências. A eliminação dos criadouros, aliada à vacinação do público indicado e à adoção de medidas preventivas, continua sendo a principal estratégia para reduzir a transmissão da dengue, da chikungunya e da zika.



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