Diagnóstico precoce é fundamental para o sucesso do tratamento
Agosto é um período de reforço das ações de conscientização sobre as leishmanioses, doenças infecciosas que continuam presentes em Goiás e exigem atenção da população. Diante desse cenário, o Hospital Estadual de Doenças Tropicais Dr. Anuar Auad (HDT) orienta sobre as diferenças entre a leishmaniose visceral e a tegumentar, os principais sintomas e as medidas de prevenção que ajudam a reduzir a transmissão.
Embora os dados da Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO) indiquem estabilidade nos casos de leishmaniose visceral (LV) e apenas um discreto aumento da leishmaniose tegumentar (LT) em 2026, especialistas reforçam que a informação e o diagnóstico precoce continuam sendo as principais ferramentas para evitar complicações.
De acordo com o médico infectologista do HDT Dr. Luiz Felipe Silveira Sales, apesar de serem transmitidas pelo mesmo vetor — o mosquito-palha infectado por protozoários do gênero Leishmania —, as duas doenças apresentam características bastante diferentes.
“A leishmaniose tegumentar afeta principalmente a pele e, em alguns casos, as mucosas, provocando feridas que demoram a cicatrizar. Já a leishmaniose visceral é considerada a forma mais grave da doença, pois compromete órgãos como fígado, baço e medula óssea. Quando identificada precocemente, ambas têm tratamento, mas o diagnóstico rápido faz toda a diferença para evitar complicações”, explica o infectologista.
Na forma tegumentar, o principal sinal é o aparecimento de feridas na pele que persistem por semanas ou meses, podendo também atingir nariz, boca e garganta. Já a leishmaniose visceral costuma provocar febre prolongada, perda de peso, fraqueza, anemia e aumento do fígado e do baço.
O médico orienta que qualquer pessoa com sintomas persistentes, especialmente após permanecer em áreas com presença do mosquito-palha, procure uma unidade de saúde para avaliação. “Não é recomendado esperar que os sintomas desapareçam espontaneamente. Quanto mais cedo o paciente inicia o tratamento, melhores são as chances de recuperação”, destaca.
A prevenção inclui medidas simples, como manter quintais limpos, evitar o acúmulo de folhas, matéria orgânica e lixo, utilizar telas em portas e janelas, fazer uso de repelentes nos horários de maior atividade do mosquito, principalmente ao entardecer e à noite, além de usar roupas que protejam braços e pernas em áreas de maior risco.
O médico do HDT também reforça a importância dos cuidados com os cães, que podem atuar como reservatórios da leishmaniose visceral. O acompanhamento veterinário, o uso de coleiras impregnadas com inseticida quando recomendadas e a comunicação aos serviços de saúde em casos suspeitos contribuem para o controle da doença.
Números
De acordo com a SES-GO, Goiás registrou 447 casos de leishmaniose tegumentar ao longo de 2025. No comparativo entre 1º de janeiro e 5 de agosto, foram confirmados 189 casos em 2025 e 209 no mesmo período de 2026, demonstrando um leve aumento nas ocorrências. Já em relação à leishmaniose visceral, o Estado contabilizou 31 casos durante todo o ano de 2025. No mesmo recorte analisado, foram registrados 20 casos entre janeiro e 5 de agosto de 2025 e 19 casos no mesmo período de 2026, evidenciando estabilidade no comportamento epidemiológico da doença.
No HDT, referência estadual no atendimento de doenças infecciosas, também foi observado um aumento nas notificações das duas formas da doença em relação ao mesmo período do ano passado. Entre janeiro e 5 de agosto de 2026, foram registradas 201 notificações de leishmaniose visceral, frente a 167 no mesmo período de 2025. Já as notificações de leishmaniose tegumentar passaram de 21 para 42 no mesmo intervalo. Os dados reforçam a importância de manter a vigilância e incentivar a população a procurar atendimento diante de sinais suspeitos.


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