Nikolas Ferreira resgata caso GameCorp em série sobre Lulinha

Nikolas lança série sobre Lulinha e resgata caso GameCorp

O deputado federal Nikolas Ferreira deu início à veiculação de uma produção audiovisual focada na trajetória empresarial de Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Intitulado “Dossiê Lulinha”, o projeto prevê um total de sete episódios dedicados a analisar negócios, figuras públicas e conexões corporativas associadas ao Palácio do Planalto ao longo das últimas décadas.

Os repasses da Telemar e a criação da GameCorp

A estreia do projeto foca nos primeiros passos empresariais de Lulinha, resgatando a fundação da GameCorp em 2004, companhia voltada ao segmento de internet, telecomunicações e televisão fechada. O parlamentar utilizou a injeção de capital da Telemar (posteriormente absorvida pela Oi) na produtora como fio condutor para revisitar apurações deflagradas no âmbito da Operação Lava Jato.

Investigações iniciadas em 2019 pelo Ministério Público Federal (MPF) apontavam que a operadora de telefonia transferiu cerca de R$ 132 milhões a empresas ligadas à GameCorp no intervalo entre 2004 e 2016. Esse montante correspondia a aproximadamente 74% de todo o faturamento da empresa no período. À época, os procuradores levantaram suspeitas sobre a ausência de justificativa econômica para as operações e a falta de comprovação da execução real dos serviços contratados.

Desdobramentos na Justiça e o arquivamento das provas

O material apurado também buscava averiguar se os aportes financeiros teriam beneficiado indiretamente pessoas do círculo íntimo do presidente, incluindo transações vinculadas à compra do sítio em Atibaia (SP) — caso no qual, como lembra o próprio deputado, Lula não teve condenação judicial mantida.

Apesar do volume de dados levantados, os autos não resultaram em condenações. O processo acabou sendo arquivado pela Justiça em 2022, após decisões judiciais anularem a validade das provas coletadas durante a operação. Sem a base probatória original, o MPF reconheceu a ausência de fundamentos jurídicos para dar continuidade às acusações.

Questionamentos políticos e próximos passos

No vídeo, o parlamentar reconhece o desfecho judicial das ações, mas sustenta que o tema segue relevante no debate público: “Legalmente, acabou. Politicamente, as perguntas ficaram”, afirmou Nikolas Ferreira.

Ao concluir o primeiro capítulo da série — finalizado com o subtítulo “De Pai pra Filho. O lado oculto do dinheiro” —, o deputado conectou o caso histórico a denúncias mais contemporâneas sobre grupos privados que buscam interlocução comercial com o governo federal. A assessoria de Fábio Luís Lula da Silva não encaminhou posicionamento sobre as declarações até o momento.