Durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão na residência do senador Ciro Nogueira (PP-PI), a Polícia Federal recolheu um manuscrito com nomes atribuídos a deputados federais acompanhados de pontuações numéricas. O papel foi resgatado de dentro da churrasqueira do imóvel, após uma funcionária receber instruções para incinerar o registro sob a alegação de que era descartável.
Manuscrito sob o título “Câmara” e cifras registradas
O episódio veio a público após o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirar o sigilo de inquéritos ligados ao caso do Banco Master. Segundo os investigadores, o papel apreendido trazia o cabeçalho “Câmara” e vinculava primeiros nomes de figuras públicas a valores que demandam apuração.
A lista identificada pelos agentes continha os seguintes registros:
- Arthur: 40
- Hugo: 10
- Elmar: 10
- Luizinho: 10
- Adolfo: 10
- Isnaldo: 10
- Diego: 5
- Altineu: 5
- Netinho: 5
De acordo com o relatório da corporação, os termos fazem provável alusão a parlamentares de destaque, como o ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL), o atual comandante do Legislativo Hugo Motta (Republicanos-PB), além de Elmar Nascimento (União Brasil-BA), Doutor Luizinho (PP-RJ), Adolfo Viana (PSDB-BA) e Isnaldo Bulhões (MDB-AL).
Artigos de luxo e indícios de transporte de valores
A varredura realizada na propriedade do líder partidário também mapeou sinais de alto poder aquisitivo. Os policiais federais listaram a presença de bolsas de marcas internacionais, além de uma adega com rótulos nobres de uísques e vinhos.
Outro ponto que chamou a atenção da equipe policial foi a localização de várias malas de viagem vazias em um closet. As bagagens estavam identificadas com etiquetas nominais de terceiros e de parentes do senador, o que levantou suspeitas dos investigadores quanto a uma rotina de transporte de dinheiro em espécie.
O que dizem os envolvidos
Os políticos citados no material apreendido negaram veementemente qualquer irregularidade e contestaram o valor probatório das anotações informais.
Manifestações das lideranças políticas
Por meio de nota, Arthur Lira declarou não ter conhecimento das anotações e ressaltou que não pode responder por apontamentos feitos por terceiros. Já Hugo Motta classificou as ilações como “um absurdo” decorrente de um “papel apócrifo”, reforçando confiar nas investigações formais e repudiando distorções em períodos de disputa política.
Na mesma linha, o deputado Elmar Nascimento rebateu as insinuações de ilegalidade e criticou o vazamento de peças não identificadas, afirmando viver em um cenário de criminalização da classe política. Por sua vez, Ciro Nogueira sustentou que jamais atuou para favorecer a referida instituição financeira e refutou qualquer suspeita sobre sua conduta pública. Os deputados Doutor Luizinho, Isnaldo Bulhões e Adolfo Viana não emitiram manifestações sobre o caso.
As apurações sobre a movimentação financeira e a destinação dos supostos repasses prosseguem em tramitação na Suprema Corte para esclarecer a origem e o significado dos apontamentos apreendidos.




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