Presa injustamente sob acusação de envenenar crianças, mulher que teve casa apedrejada vive de aposentadoria e tenta reconstruir a vida

A casa onde Lucélia Maria da Conceição mora hoje não é dela. Paga aluguel, paga água, paga luz. A renda é um salário mínimo de aposentadoria, com dois empréstimos descontados na fonte. A geladeira e a televisão foram compradas com um Pix enviado por uma mulher que decidiu ajudá-la. O resto dos móveis é usado.

Há quase dois anos, no final de agosto de 2024, ela foi acusada de ter dado uma sacola de cajus envenenados a dois irmãos de 7 e 8 anos que moravam na vizinhança, em Parnaíba, no litoral do Piauí. As crianças foram internadas e morreram.

No dia da prisão, moradores apedrejaram e incendiaram sua casa. Ela ficou quase cinco meses presa até que uma perícia concluísse que não havia veneno nos frutos. Em outubro de 2025, o Tribunal de Justiça do Piauí publicou a sentença que a absolveu de todas as acusações, depois que o próprio Ministério Público defendeu sua absolvição. O processo foi arquivado em definitivo.