Afinal de contas, debate ganha eleição? Ou aprofundando um pouco mais a discussão, debate decide eleição? Nos dias atuais os debates políticos, especialmente aqueles envolvendo os candidatos numa eleição, não tem mais o poder de decidirem uma eleição como já foi no século XX e início deste século. Todavia, há um poder incrivelmente fantástico nos debates eleitorais de hoje, que é a capacidade de um candidato, via assessoria, em difundir instantaneamente os chamados cortes contendo reações, deslizes do adversário e evidentemente os trechos de sucesso do candidato bem assessorado. Dessa forma, fica claro que um debate sozinho pode não ganhar a eleição, mas pode ser decisivo para destruir ou mudar os rumos de uma candidatura. A maioria dos eleitores já tem votos definidos ou não muda de ideia apenas pelas duas horas de confronto na TV ou na internet. O efeito do debate hoje acontece nas redes sociais, onde trechos isolados e reações viralizam nos celulares dos eleitores ainda durante a realização do evento. Isso depende da capacidade e do preparo do candidato e da assessoria.
Em Goiás, nos debates realizados até agora, ficou evidente que três candidatos estão à caça do líder em todas as pesquisas e com grande chance de vencer a eleição ainda no primeiro turno, que é o governador Daniel Vilela (MDB). Tanto no debate da PUC TV, quanto no debate do Portal Mais Goiás, os candidatos Marconi Perillo (PSDB), Wilder Morais (PL) e Luís César Bueno (PT) procuraram uma maneira de diminuir o favoritismo de Daniel Vilela, seja por meio de ataques, de fake news ou ainda tentando colar a administração de Daniel com as gestões de Iris Rezende e de seu pai, Maguito Vilela, dois emedebistas históricos que governaram o estado quando Daniel ainda era uma criança. Mesmo assim, o que se viu foi um Daniel Vilela muito inteiro, como os marqueteiros costumam chamar um candidato bem preparado. Mais que palavras, em um debate eleitoral a postura do candidato conta muito e diz a todo tipo de audiência o quanto ele está preparado.
Especialmente nos embates entre Marconi Perillo e Daniel Vilela, o governador tem dado um show de preparo ao se defender de forma contundente, ao mesmo tempo em que tem tirado o ex-governador Marconi do sério e do centro. Marconi não tem conseguido comunicar direito as suas ideias e quase sempre se apresenta como alguém extremamente raivoso, vociferando como quem sabe que perdeu ou que está perdendo o jogo. A fala de Daniel no debate da PUC quando disse a Marconi para ficar calmo, pois do contrário teria sua grande rejeição aumentada foi um golpe certeiro, caracterizando a calma e o preparo deste, contra o desequilíbrio e o despreparo daquele. Marconi tem tido muitos problemas até para gerir o tempo de suas falas nos debates, o que escancara seu nervosismo e descontrole.
Já a postura de Wilder Morais nos dois debates foi por demais tímida. Ainda que tenha melhorado a sua postura no último debate, Wilder mostra claramente que tem muitas dificuldades para manifestar o seu pensamento. Também na fala há muitos ruídos. Em certos momentos o candidato do PL parece estar falando para dentro. Sem contar que em termos de propostas há um gigantesco vazio na candidatura de Wilder. Apesar de ensaiar algumas perguntas mais duras a Daniel Vilela, o candidato Wilder deixa muito claro que não foi feito para embates. No assunto câmeras nas fardas dos policiais de Goiás, Wilder se disse a favor, o que lhe tem causado sérios problemas junto à classe dos policiais e a com a população goiana que está extremamente feliz com a gestão de Ronaldo Caiado e agora com a gestão de Daniel Vilela na área da segurança. Foi uma grande bola fora de Wilder com toda certeza.
Já a postura de Luís César Bueno tem sido de críticar por criticar. O candidato do PT tem feito muito mais campanha para o presidente Lula do que para si. A imprensão que o petista passa é que ele é apenas tão somente um procurador de Lula. Em alguns momentos até parece que Lula é o candidato a governador de Goiás e não a presidente da República.
O que decide o voto não é necessariamente o tempo de mais ou menos duas horas de debate na TV, mas a capacidade das campanhas de transformar “cortes” de segundos em conteúdos virais para o WhatsApp, TikTok, Instagram e outras redes sociais. E é aí que Daniel Vilela tem dado um verdadeiro “baile” em seus adversários. Nos dois debates realizados, a equipe de Daniel demonstrou uma capacidade impressionante de discernir, separar, editar e publicar cortes perfeitos alavancando a candidatura do governador, da mesma forma em que atinge na alma os seus adversários quando estes deslizam. Ninguém ganha uma eleição sozinho! Mas, é inequívoco que o preparo de Daniel Vilela e a capacidade de comunicação de sua assessoria tem deixado claro que o governador é o grande vencedor dos debates eleitorais em Goiás em 2026.
(Luiz Gama)






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