Treinamento aborda identificação de sinais de sofrimento emocional, situações de risco e formas de acolhimento
Nem sempre quem percebe primeiro que uma pessoa não está bem é um profissional de saúde. Muitas vezes, esse olhar parte de alguém que convive de perto com ela, como um familiar, amigo, colega de trabalho ou professor. Para abordar esse tema, o Centro Estadual de Atenção Prolongada e Casa de Apoio Condomínio Solidariedade (CEAP-SOL) realiza, neste mês, uma capacitação para formação de gatekeepers — pessoas preparadas para identificar sinais de sofrimento emocional, acolher sem julgamento e ajudar a aproximar quem precisa da rede de cuidado.
De acordo com a supervisora psicossocial do CEAP-SOL, Hevelim Oliveira Rotulo, o processo começa pelo próprio participante. Antes de aprender a identificar sinais no outro, ele é convidado a observar o próprio comportamento, reconhecer seus limites e refletir sobre a forma como lida com situações de estresse, descanso e dificuldades do cotidiano.
“Antes de reconhecer o outro, precisamos nos perceber. É importante entender como estamos lidando com a vida, com os nossos estressores e se temos conseguido fazer nossas pausas e cuidar de nós mesmos”, explica.
A capacitação aborda fatores de risco e de proteção, mudanças de comportamento e sinais que podem indicar sofrimento emocional. O treinamento também utiliza estudos de caso para diferenciar situações de menor e maior gravidade.
“Os sinais mais leves são especialmente importantes porque nos permitem trabalhar com prevenção desde o início. Uma perda, por exemplo, associada a outras características e fatores de vulnerabilidade, pode aumentar o sofrimento ao longo do tempo. Identificar isso precocemente possibilita uma intervenção antes que a situação chegue a um risco mais grave”, afirma Hevelim.
Sinais
Mudanças persistentes, como isolamento, perda de interesse por atividades, alterações no sono e no apetite, cansaço, irritabilidade, desesperança e dificuldade de concentração, podem indicar que algo não vai bem. A orientação é abordar a pessoa em um momento adequado, demonstrando preocupação genuína e oferecendo espaço para a conversa.
“Uma pergunta simples, como ‘Percebi que você não parece estar bem. Quer conversar?’, pode abrir uma porta importante. O mais importante é escutar sem julgar, sem minimizar o sofrimento e sem tentar resolver tudo sozinho”, orienta Hevelim.
O gatekeeper não diagnostica nem define tratamentos. Sua função é identificar sinais de sofrimento, acolher e ajudar a pessoa a chegar ao serviço de cuidado adequado. Esse papel exige preparo e limites claros.
“Existem técnicas específicas e é preciso reconhecer que algumas pessoas, naquele momento, estão mais no papel de serem cuidadas do que de cuidar. O gatekeeper precisa estar preparado para perceber isso também”, destaca Hevelim.
A prevenção pode começar antes de uma situação de crise. Quando alguém percebe uma mudança de comportamento, se aproxima de forma respeitosa, oferece escuta e ajuda a pessoa a buscar atendimento, contribui para que o sofrimento seja identificado e cuidado de forma precoce.






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