Alexandre Pires é alvo de operação da PF contra garimpo ilegal

Operação Disco de Ouro: cantor Alexandre Pires é alvo da Polícia Federal

O cantor e compositor Alexandre Pires entrou na mira da Polícia Federal durante a deflagração da Operação Disco de Ouro. A ofensiva policial investiga o funcionamento de uma organização criminosa de caráter transnacional ligada à lavagem de capitais, falsidade ideológica e ao comércio clandestino de minérios extraídos da Terra Indígena Yanomami, em Roraima.

Esquema financeiro movimentou mais de US$ 48 milhões

Ao todo, os agentes federais saíram às ruas para cumprir 12 mandados de busca e apreensão e 17 ordens de sequestro de bens e valores emitidos pela Justiça Federal. O objetivo central das medidas cautelares é paralisar as atividades financeiras ilegais, recolher novos elementos de prova e recuperar os ativos gerados pelas fraudes.

De acordo com o inquérito, a rede criminosa teria movimentado e ocultado quantias superiores a US$ 48 milhões. Para despistar os órgãos de controle e dificultar o rastreamento do dinheiro, o grupo utilizava contas de terceiros, pessoas jurídicas e físicas interpostas, transações no exterior e mecanismos informais de compensação financeira. A apuração foca ainda no uso de notas e documentos falsificados para simular a legalidade das cargas de minério exportadas.

Extração ilegal de cassiterita em área indígena

A investigação aponta que os recursos ilícitos têm origem direta na exploração de cassiterita no território Yanomami. Considerada a principal fonte mineral para a obtenção de estanho em escala global, a substância é composta por dióxido de estanho e costuma ser encontrada na natureza na forma de rocha ou como uma areia pesada e escura.

Os envolvidos no caso poderão responder por acusações como organização criminosa, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e operação irregular de instituição financeira, conforme a participação individual identificada no inquérito.

Defesa de Alexandre Pires contesta acusações

Por meio de nota oficial assinada pelo advogado Luiz Flávio Borges D’Urso, a equipe jurídica do artista declarou que ele foi surpreendido pelas diligências da corporação e negou veementemente qualquer conduta ilícita.

O comunicado enfatiza a trajetória artística consolidada do músico e sustenta que Pires nunca manteve relação com garimpo ou exploração mineral, especialmente em reservas protegidas. A defesa reiterou total confiança no Judiciário e assegurou que a inocência do cantor será comprovada ao longo do processo.

Carreira consolidada na música brasileira

Famoso nacionalmente a partir dos anos 1990, Alexandre Pires despontou na música brasileira como líder do grupo de pagode Só Pra Contrariar, criado em 1989 e responsável por sucessos expressivos como “Depois do Prazer” e “Essa Tal Liberdade”. A partir de 2001, o cantor consolidou uma carreira solo de repercussão internacional, com lançamentos no mercado hispânico e a conquista de premiações de destaque, incluindo o Grammy Latino.