“Meu marido está preso porque desobedeceu uma ordem para matar inocentes”, diz Mariana Naime, esposa de policial que atuou no 8/1 e que não atirou nos manifestantes

Mariana Naime, esposa do coronel da Polícia Militar do Distrito Federal Jorge Eduardo Naime, voltou a defender a atuação do marido durante os acontecimentos de 8 de janeiro de 2023. Em entrevista, ela afirmou que o então interventor federal Ricardo Cappelli teria determinado o uso de força letal e que Naime se recusou a cumprir a ordem. “Meu marido está preso porque desobedeceu uma ordem para matar inocentes”, declarou. Em outra manifestação, Mariana disse que o coronel teria se posicionado contra o emprego de munição letal para evitar um possível “derramamento de sangue”.

O próprio Naime declarou, em depoimento prestado em março de 2023, que havia preocupação com o esgotamento da munição não letal durante os confrontos e que, em caso de um novo ataque direto, o emprego de munição letal poderia se tornar necessário. Na mesma audiência, porém, ao ser questionado especificamente sobre divergências de comando com Cappelli naquele dia, respondeu que não houve divergência.

A afirmação de Mariana representa a versão apresentada pela família sobre os acontecimentos. Oficialmente, o STF condenou Jorge Naime a 16 anos de prisão por crimes relacionados à atuação e às omissões atribuídas à cúpula da PMDF no 8 de Janeiro; em março de 2026, foi determinado o início do cumprimento definitivo da pena após o encerramento dos recursos.