Três décadas após a sua estreia oficial, a urna eletrônica celebra uma trajetória que redefiniu a apuração e a dinâmica do voto no Brasil. Implementado nas eleições municipais de 1996 para aproximadamente 32 milhões de eleitores em 57 cidades — número que correspondia a um terço do eleitorado nacional na época —, o equipamento aposentou as cédulas em papel por meio de uma plataforma totalmente informatizada.
Das previsões legais à informatização completa
A intenção de automatizar a coleta de votos no país antecede em muito os anos 1990. O Código Eleitoral de 1932 já mencionava o emprego de máquinas de votar, contanto que o sigilo do voto fosse preservado. Contudo, o processo prático de informatização começou a ganhar corpo apenas em 1985, com a criação do cadastro nacional unificado de eleitores. Anos mais tarde, em 1994, o cálculo e a totalização dos votos tornaram-se digitais, embora a conferência de cada cédula ainda dependesse da contagem manual.
O projeto que deu vida ao dispositivo moderno começou a ser formulado em 1995. Inicialmente batizado de Coletor Eletrônico de Votos, o aparelho foi construído por um grupo técnico interdisciplinar e adotou soluções práticas para facilitar o uso pela população, como o teclado numérico inspirado nos aparelhos telefônicos e a confirmação por números.
A estreia da UE96 e a cobertura de 100% do eleitorado
O primeiro modelo fabricado, conhecido como UE96, operava com processador Intel 386SX de 40 MHz, memória de 2 MB e gravação de informações em dois disquetes de 1,44 MB. Cerca de 70 mil unidades foram distribuídas no lançamento. A expansão aconteceu gradativamente: em 1998, 60% dos votantes utilizaram o sistema, momento em que a foto dos candidatos foi incluída na tela. A cobertura total foi alcançada no pleito municipal de 2000, a primeira eleição com voto eletrônico em todas as seções do território brasileiro.
Evolução dos modelos e inovações de segurança
Até as eleições municipais de 2024, a Justiça Eleitoral colocou em operação 14 gerações de urnas eletrônicas, agregando recursos contínuos de acessibilidade, biometria e criptografia. Em 2004, foi instituído o Registro Digital do Voto. Dois anos depois, o modelo UE2006 iniciou os primeiros experimentos com sensores de impressão digital, recurso expandido a partir de 2008.
Outros saltos tecnológicos marcaram os anos seguintes. A versão UE2015 adicionou a impressão de QR Codes nos boletins de urna para agilizar a checagem pública. Na sequência, a geração UE2020 ampliou a capacidade de processamento em 18 vezes na comparação com a UE2015 e incluiu um painel sensível ao toque no terminal dos mesários.
Parque de equipamentos mobilizado no país
A estrutura de votação atual mobiliza quatro versões diferentes: UE2013, UE2015, UE2020 e UE2022. Do total de 563 mil urnas preparadas pela Justiça Eleitoral, 77% pertencem às duas safras mais modernas. O modelo mais avançado em atividade é o UE2022, produzido em 2023, que traz 4 GB de memória RAM e processador Intel Atom de 1,16 GHz. Paralelamente ao uso desses equipamentos, o tribunal responsável já estrutura a próxima geração tecnológica, programada para estrear nas eleições de 2028.

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