Com um índice de resolutividade bem acima do cenário brasileiro, o Paraná alcançou uma média de 72% de esclarecimento de homicídios no período entre 2020 e 2023. O desempenho coloca o Estado no topo do ranking nacional do setor, superando com folga a taxa média do país, que ficou em 40% no mesmo intervalo, dividindo o protagonismo com Rondônia e o Distrito Federal.
Pilares da investigação: metas claras e atuação pericial
O avanço nos índices paranaenses reflete uma reestruturação na metodologia de apuração dos crimes violentos contra a vida. Entre as práticas que sustentam esses resultados destacam-se a gestão orientada por metas, a delimitação de perímetros com equipes especializadas e a cooperação direta entre os investigadores de campo e a perícia criminal técnica.
Além do alinhamento metodológico, as forças de segurança ampliaram significativamente a repressão direta. As ações policiais qualificadas registraram salto superior a 300% na comparação iniciada em 2019, somando 975 operações deflagradas até setembro deste ano em território paranaense.
Combate às facções e asfixia financeira
A aplicação de inteligência estratégica tornou-se peça central para desarticular quadrilhas e mapear o crime organizado. O delegado-geral da Polícia Civil do Paraná, Silvio Jacob Rockembach, ressalta que o monitoramento tático é vital para detectar conexões entre diferentes ocorrências, identificar mandantes e desvendar disputas de facções ligadas ao narcotráfico.
Reforço institucional e novos departamentos
Esse modelo operacional ganhou respaldo formal por meio da atualização da Lei Orgânica da corporação, aprovada em maio. O texto normativo viabilizou a criação de divisões dedicadas exclusivamente a frentes de alto impacto, como:
O Departamento Estadual de Repressão ao Crime Organizado (DRACO), o Departamento de Operações Especiais (DOESP) e o Departamento de Inteligência Policial (DIP).
Outro braço fundamental nessa engrenagem são os cinco Laboratórios de Tecnologia Contra Lavagem de Dinheiro vinculados ao setor de inteligência. As instalações trabalham no rastreio e na quebra de fluxos financeiros, atuando na asfixia econômica das organizações criminosas para enfraquecer sua estrutura de comando e reduzir os índices de criminalidade letal.


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