A batalha judicial travada por Felipe Massa sobre o desfecho do campeonato mundial de Fórmula 1 de 2008 terá um desfecho decisivo no início de 2027. A Suprema Corte da Inglaterra agendou para os dias 1º, 2 e 3 de fevereiro daquele ano a apreciação do recurso impetrado em conjunto pela Federação Internacional de Automobilismo (FIA), pela Formula One Management (FOM) e pelo ex-dirigente da categoria, Bernie Ecclestone.
O que está em jogo na Suprema Corte britânica
A sessão marcada para fevereiro de 2027 servirá como divisor de águas: definirá se o processo terá condições de ir a um julgamento pleno ou se será barrado de forma definitiva. Caso os magistrados acolham os argumentos apresentados pelas entidades esportivas e por Ecclestone, a ação não terá prosseguimento no formato contestado. Por outro lado, a rejeição do pleito dos réus abrirá caminho para a continuidade das etapas processuais.
O caso chegou ao tribunal máximo do Reino Unido por meio de um mecanismo jurídico de exceção denominado leapfrog, que permite pular instâncias convencionais diante de matérias de direito de alta relevância. Essa autorização foi concedida aos réus em junho de 2026, três meses após terem a tentativa de recorrer ao Tribunal de Apelação negada pela Justiça britânica. O piloto brasileiro comemorou a oportunidade de levar o debate à mais alta instância, destacando o peso das evidências reunidas por sua defesa.
Indenização milionária e status do campeonato
No centro da disputa financeira, Felipe Massa reivindica uma compensação calculada em 64 milhões de libras — montante que gira em torno de R$ 439 milhões. O processo visa ressarcir prejuízos esportivos e comerciais sofridos pelo piloto em razão da suposta ocultação de irregularidades cometidas durante a temporada de 2008.
Apesar da cifra expressiva, a iniciativa jurídica não busca retirar o troféu mundial conquistado nas pistas por Lewis Hamilton. A tentativa inicial da defesa do brasileiro de fazê-lo ser formalmente declarado campeão daquele ano já foi rejeitada pela Justiça inglesa. Contudo, em novembro de 2025, os magistrados reconheceram que a tese de conspiração formulada pela equipe de Massa possuía consistência bastante para sustentar a abertura do processo, condenando ainda os réus ao pagamento de 250 mil libras (aproximadamente R$ 1,7 milhão) em custas processuais.
Entenda o impacto do Singapuragate na decisão do título
O litígio tem como raiz o escândalo esportivo conhecido como Singapuragate, ocorrido no Grande Prêmio de Singapura de 2008. Na ocasião, Nelson Piquet Jr. chocou sua Renault de forma proposital contra a mureta de proteção para forçar a entrada do safety car, beneficiando a tática de paradas de seu companheiro de equipe, Fernando Alonso.
A manobra tumultuou a prova justamente quando Massa liderava. Durante a parada forçada nos boxes, uma falha no reabastecimento da Ferrari fez com que o brasileiro partisse arrastando a mangueira de combustível, despencando para a 13ª colocação. Hamilton, ao contrário, capitalizou sobre os eventos e terminou em terceiro lugar, somando seis pontos cruciais para a tabela.
O caso só se tornou público em 2009, meses depois de Hamilton assegurar o título em Interlagos por uma margem mínima de um ponto sobre o brasileiro. Segundo estimativas apresentadas nas alegações judiciais, a anulação formal do GP de Singapura antes do fechamento do campeonato teria consagrado Felipe Massa campeão mundial com 97 pontos, superando os 92 do piloto britânico.



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