A taxa do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado o termômetro prévio da inflação nacional, desacelerou para 0,32% em outubro. O dado divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrou um alívio em relação ao salto de 0,70% apurado em setembro, situando-se também abaixo das projeções do mercado financeiro, que estimavam uma alta média de 0,43% para o período.
Alimentos lideram as altas e pressionam o bolso das famílias
Apesar da desaceleração geral, o grupo de alimentação e bebidas foi o principal vilão do mês, anotando avanço de 0,88% e respondendo pelo maior impacto no resultado global, com 0,19 ponto percentual. O custo da comida dentro de casa aumentou 1,01%, puxado por fortes altas em itens essenciais da mesa do consumidor:
- Tomate: alta de 24,54%
- Cebola: aumento de 13,63%
- Batata-inglesa: subida de 10,96%
- Arroz: elevação de 5,80%
Comer fora de casa também ficou mais pesado. A alimentação fora do domicílio subiu 0,56% em outubro, impulsionada pelo encarecimento das refeições prontas (de 0,38% para 0,61%) e dos lanches rápidos (de 0,44% para 0,66%).
Desempenho dos outros setores e deflação isolada
O levantamento apontou reajustes positivos em oito das nove categorias pesquisadas. Atrás dos alimentos, os maiores aumentos foram identificados em despesas pessoais (0,55%), vestuário (0,53%) e comunicação (0,43%). As demais divisões registraram oscilações mais amenas: artigos de residência (0,28%), saúde e cuidados pessoais (0,15%), educação (0,09%) e transportes (0,05%).
O único alívio veio do setor de habitação, que apresentou deflação de 0,10% no mês, ajudando a conter uma disparada mais ampla do indicador geral.
Trajetória em 12 meses e meta de inflação
Com o desempenho de outubro, o IPCA-15 acumula um incremento de 4,15% no ano. No intervalo dos últimos 12 meses, a variação alcança 4,62% — taxa superior aos 4,47% observados até o mês anterior, porém inferior à expectativa dos analistas, calculada em 4,73%.
O índice acumulado atualmente ultrapassa o teto do intervalo de tolerância da meta estipulada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Definido em 3,0%, o objetivo inflacionário conta com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos, estabelecendo o teto de cumprimento em 4,50%.
Entenda o cálculo do IPCA-15
Para apurar o índice de outubro, o IBGE coletou preços entre meados de setembro e a primeira metade de outubro, comparando-os com o ciclo mensal imediatamente anterior. O indicador reflete o custo de vida para famílias que ganham entre 1 e 40 salários mínimos nas regiões metropolitanas de Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre, somadas às cidades de Brasília e Goiânia.



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