Lula cita “calote da ilha” em post de Richarlison sobre eleição

Lula comenta em post de Richarlison e cita “calote da ilha”

O cenário da disputa presidencial de 2026 ganhou novos desdobramentos após o presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva reagir a uma publicação do atacante Richarlison, jogador do Tottenham e da Seleção Brasileira. Na interação, o petista resgatou a polêmica imobiliária que envolve o atleta e o senador Flávio Bolsonaro, adversário direto no pleito.

A mensagem de Richarlison e a provocação de Lula

A troca de mensagens ocorreu após o jogador compartilhar uma foto com a bandeira do Brasil nas costas, incentivando a população a participar do processo democrático. Em seu texto, o atacante defendeu a análise cuidadosa dos planos de governo, com foco em saúde, emprego e educação, ressaltando seu histórico de apoio à ciência e aos trabalhadores, sem declarar apoio a nenhum candidato.

Apesar da postura neutra do esportista, Lula utilizou o espaço para fazer campanha e alfinetar o concorrente: lembrou que o voto é secreto, mas disparou que o público sabe quem teria dado o “calote da ilha” no jogador, finalizando com o pedido de voto no número 13. A manifestação mobilizou apoiadores governistas e transformou o post em um dos assuntos mais comentados da reta eleitoral.

Entenda a disputa pela mansão em Angra dos Reis

O caso mencionado tem origem nos anos da pandemia, entre 2020 e 2021, quando Richarlison adquiriu uma propriedade avaliada em R$ 10 milhões na Ilha Comprida, em Angra dos Reis (RJ). A compra foi realizada em sociedade com seu ex-agente Renato Velasco e com Alencar da Silveira Júnior, presidente do América-MG.

De acordo com os relatos do jogador, Flávio Bolsonaro visitou o local e chegou a apresentar propostas para adquirir o imóvel, mas todas foram recusadas pelos proprietários. Meses depois, o senador retornou à propriedade ao lado do advogado Willer Tomaz.

Em maio de 2022, a situação tomou rumos judiciais: a esposa de Velasco foi retirada da casa por uma ordem de reintegração de posse favorável à empresa M Locadora, que alegava deter o registro do imóvel desde 1986. No processo, a empresa WT Administração, de Willer Tomaz, quitou R$ 2 milhões em pendências tributárias e regularizou a área junto à Secretaria do Patrimônio da União, transferindo o terreno para sua firma após um aporte declarado de R$ 5 milhões.

Decisão judicial e cobrança por investigação

A defesa do atleta tentou arrolar Flávio Bolsonaro como testemunha para provar que a residência não se encontrava abandonada na época das visitas. Contudo, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu, em 2025, manter a posse com a companhia ligada a Tomaz, considerando os ocupantes anteriores como invasores.

O senador Flávio Bolsonaro sustenta que jamais teve vínculo com o imóvel ou com a ação, destacando que figurou unicamente como testemunha no processo. Por outro lado, Richarlison intensificou as cobranças públicas nas redes sociais, afirmando que a perda ocorreu de forma irregular e prometendo repassar parte dos valores a um hospital em Nova Venécia (ES) caso recupere o patrimônio. Lula reforçou o tema ao declarar que a Polícia Federal deve apurar os fatos.