Acidente do MD-82 em Miami: Investigação aponta falhas graves na aviação dominicana

O National Transportation Safety Board (NTSB) dos Estados Unidos publicou a súmula completa da investigação do acidente com o MD-82 da companhia aérea dominicana RED AIR no aeroporto de Miami , ocorrido em 21 de junho de 2022. O lançamento da súmula é uma das últimas etapas antes a publicação do relatório final do acidente.

O que foi publicado pelo NTSB é altamente preocupante em relação ao estado de segurança da aviação civil dominicana. Nos interrogatórios, observa-se como altos funcionários do Instituto Dominicano de Aviação Civil tiveram sérios problemas para entender e administrar suas funções. Também vislumbram-se problemas notórios nos processos de certificação e controle das companhias aéreas nacionais.

De acordo com a matéria do Aviacionline, Essas investigações levaram a Federal Aviation Administration (FAA) a emitir um alerta de risco de segurança. Por este motivo, será realizada uma auditoria ao programa de avaliação de risco aeronáutico (IASA) e será reavaliada a categoria 1 de segurança que o país detém atualmente.

Durante o interrogatório vieram à tona dados preocupantes. Em primeiro lugar, e após o acidente em Miami, o JAC suspendeu o certificado da RED AIR, mas logo depois o retomou sem tomar medidas para melhorar a segurança operacional. Da mesma forma, o JAC e sua contraparte americana (FAA) quase não têm comunicação. Além disso, o processo de certificação da companhia aérea foi realizado sem seguir os regulamentos relevantes.

Do ponto de vista operacional, constatou-se que a RED AIR não dispunha dos meios de comunicação necessários referentes à segurança de suas aeronaves. Em vez disso, a aeronave usou telefones via satélite não aprovados, que também foram desligados.

O IDAC descobriu isso e, ainda assim, permitiu que a companhia aérea continuasse operando. Nota-se também que nenhum dos oficiais enviados para depor perante o NTSB fala bem o inglês, inclusive o Diretor de Padrões de Voo. Todos os funcionários do IDAC precisaram de tradutores durante a audiência.

Por outro lado, o inspetor de manutenção do IDAC da RED AIR desconhecia o funcionamento do dia-a-dia e não tinha noção se as manutenções necessárias estavam sendo realizadas.

O diretor de manutenção, por sua vez, sequer sabia onde estavam os registros de manutenção, que ele supostamente supervisionava. Por último, e em desacordo com as normas, o processo de manutenção da aeronave não foi lacrado após o acidente.

 

Fonte: Aeroin