Especialista orienta sobre adaptações no ambiente, prática de exercícios e sinais de alerta que indicam maior risco de acidentes
As quedas estão entre as principais causas de internação, perda da independência e mortalidade entre pessoas idosas. Embora sejam frequentes, muitos desses acidentes podem ser prevenidos com mudanças simples no ambiente doméstico, adoção de hábitos saudáveis e acompanhamento profissional. O alerta é da equipe de Fisioterapia do Centro Estadual de Atenção Prolongada e Casa de Apoio Condomínio Solidariedade (CEAP-SOL).
Segundo o fisioterapeuta do CEAP-SOL e especialista em geriatria, Luís Cesar Tavares Maffra, as consequências de uma queda vão muito além da fratura. “O problema mais comum é a fratura do colo do fêmur, que geralmente exige cirurgia e internação. Durante esse período, o idoso fica mais vulnerável a complicações, como infecções e pneumonia, que podem agravar o quadro clínico e até levar ao óbito”, explica.
De acordo com o especialista, a maioria das quedas acontece dentro da própria residência e está relacionada tanto às condições do ambiente quanto às alterações naturais do envelhecimento, como perda de força muscular, redução do equilíbrio e diminuição da mobilidade. “O ambiente pode oferecer diversos riscos. Tapetes soltos, fios espalhados, móveis que dificultam a circulação, pouca iluminação e ausência de barras de apoio no banheiro são fatores que aumentam significativamente a possibilidade de quedas”, afirma.
Além da organização da casa, Luís Cesar destaca que a prática regular de atividade física desempenha papel fundamental na prevenção. Exercícios voltados ao fortalecimento muscular, equilíbrio e coordenação ajudam o idoso a manter a autonomia e reduzem o risco de acidentes. “Exercícios simples, como levantar e sentar de uma cadeira, fazer marcha estacionária e elevar os calcanhares apoiado em uma superfície segura fortalecem a musculatura e melhoram o equilíbrio. O importante é que sejam realizados de forma orientada, respeitando as limitações de cada pessoa”, orienta.
Outro cuidado importante é a escolha do calçado. O fisioterapeuta recomenda o uso de sapatos fechados ou sandálias com tira presa ao calcanhar, evitando chinelos e calçados que possam escapar dos pés durante a caminhada. “O uso de chinelos é um fator de risco frequente. Muitas vezes o calçado sai do pé, provoca um tropeço e acaba causando a queda”, observa.
Quando procurar ajuda
A família também deve estar atenta aos primeiros sinais de perda funcional. Dificuldade para levantar de uma cadeira sem apoio, desequilíbrio durante a caminhada, cansaço excessivo para percorrer pequenas distâncias e episódios de tropeços ou quase quedas indicam a necessidade de avaliação por um profissional de saúde. “Esses sinais mostram que o idoso pode estar perdendo força e equilíbrio. Quanto mais cedo a intervenção, maiores são as chances de evitar uma queda e preservar a independência”, ressalta Luís Cesar.
Caso o acidente aconteça, a recomendação é procurar atendimento médico imediatamente para investigação de possíveis fraturas ou lesões. Após a avaliação clínica, a fisioterapia torna-se uma importante aliada na recuperação da mobilidade e na prevenção de novos episódios.
“O trabalho fisioterapêutico busca recuperar a força, o equilíbrio e a capacidade funcional do paciente para que ele retome suas atividades com segurança e qualidade de vida”, conclui o especialista.




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