O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou hoje (17) em entrevista ao Estúdio I, da GloboNews, que a ameaça de sanção da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) ao Brasil é “totalmente descabida” e que o país não pretende dialogar com a entidade nesse cenário. No último dia 15, o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, disse que países como Brasil, China e Índia podem ser alvos de sanções secundárias (como taxações em 100%) caso mantenham relações comerciais com a Rússia – os quatros países integram o Brics.
“Dialogar com a Otan, não. Nós não fazemos parte. A Otan, é preciso que fique claro: é uma organização militar, Organização do Tratado do Atlântico Norte. O Brasil não é parte nem os outros dois países que o secretário-geral mencionou. Eu acho uma declaração dele totalmente descabida, fora de propósito, fora da área de competência dele. Ele tem que tratar da aliança militar.”
Ainda na entrevista à Globonews, o chanceler brasileiro ironizou a ameaça de Rutte, afirmando que “talvez” o chefe da Otan não saiba que o organismo tem caráter de aliança militar e não tem alcance comercial.
“Talvez ele esteja mal-informado, não saiba que é uma organização militar, não tem alcance comercial. Sobretudo porque, se for assim, países membros da Otan que são membros da União Europeia – e que comerciam com a Rússia e compram grandes quantidades de petróleo e de gás – teriam que ser também sancionados”, afirmou o ministro.
O que é a Otan?
A Otan é uma aliança militar internacional criada em 1949, logo após a Segunda Guerra Mundial, com o objetivo de proteger seus países-membros contra ameaças externas, especialmente a expansão da União Soviética durante a Guerra Fria. Em meio à guerra entre Rússia e Ucrânia, Rutte defende sanções econômicas de 100% contra Moscou como forma de pressionar pelo fim do conflito.
Por que a Rússia é contra a Otan?
A Otan foi um dos principais motivos da Rússia invadir a Ucrânia em 2022. Moscou vê a expansão da entidade Ocidental para o leste da Europa como uma ameaça direta à sua segurança. Para Moscou, uma Ucrânia dentro da Otan seria como os EUA colocarem mísseis na fronteira da Rússia.


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