Defesa de Bolsonaro nega irregularidade após Nikolas usar celular em visita

A defesa de Jair Bolsonaro afirmou ao Supremo Tribunal Federal (STF), hoje (27), que o ex-presidente não descumpriu a proibição de uso de telefone celular durante o período em que esteve em prisão domiciliar.

Os advogados enviaram explicações ao STF depois que o Jornal Nacional, da TV Globo, mostrou imagens da visita do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), na última sexta-feira (21), em que o parlamentar aparece usando o aparelho na varanda da casa do ex-presidente, enquanto conversava com ele.

A visita ocorreu horas antes de Bolsonaro tentar violar a tornozeleira eletrônica com um ferro de solda, e um dia antes de o ex-presidente ser preso preventivamente por risco de fuga.

De acordo com a defesa, é inequívoco que o encontro foi “realizado às claras, tanto que foi possível sua gravação veiculada no Jornal Nacional, onde se constata que o peticionário [Bolsonaro] cumpria à exatidão a determinação de vossa excelência [Moraes] sem uso ou mesmo contato visual com o aparelho celular do deputado federal”, diz o documento.

Os advogados afirmaram ainda que “sempre cumpriu estritamente todas as medidas cautelares impostas pelo Supremo Tribunal Federal, reiterando que não fez o uso de qualquer telefone celular, direta ou indiretamente, ao longo de todo o período em que esteve submetido à prisão domiciliar”.

Deputada entrou com notícia-crime no STF

A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) enviou a Moraes no domingo (23) uma notícia-crime contra Nikolas. Em publicação, em sua rede social, Erika Hilton diz que Nikolas Ferreira teria instigado e auxiliado Bolsonaro em uma suposta tentativa de fuga. “A conduta descumpre ordem judicial e aponta para possível instigação ou auxílio ao plano de evasão”, diz a postagem.

Nikolas postou que não sabia da proibição e chamou a intimação de “teatro para intimidar”.

Em sua rede social, Nikolas Ferreira se defendeu sobre o possível descumprimento da lei. Disse que a visita “ocorreu dentro da normalidade da minha atividade parlamentar”. “Meu celular estava comigo para uso pessoal e não foi usado para comunicação externa. Não recebi orientação sobre proibição do aparelho. As proibições dizem muito sobre o estado do país.”