Depois da alta do café, agora o açúcar deve ficar mais caro

A expectativa é que o mercado de açúcar fique mais apertado, uma vez que a produção decepcionante da Índia, o segundo maior produtor mundial, ameaça elevar os preços para fornecimentos imediatos. A produção do país na temporada atual pode cair para 26 milhões de toneladas, após doenças terem afetado a colheita de cana na principal região produtora, Uttar Pradesh, de acordo com Ravi Gupta, diretor executivo da produtora Shree Renuka Sugars, durante a Dubai Sugar Conference na semana passada.

Isso representa cerca de 1 milhão de toneladas a menos do que as estimativas da maioria da indústria levantadas no evento.

O café também está caro

O café, uma das commodities mais apreciadas no mundo, está enfrentando uma alta histórica nos preços. Mas o que explica esse aumento tão expressivo? Eugenio Stefanelo, professor universitário, doutor em engenharia da produção e ex-secretário da Agricultura do Paraná, explicou sobre os fatores que impulsionaram essa escalada nos preços do café.

Segundo Stefanelo, o café é uma commodity global, o que significa que seu valor no mercado interno brasileiro é diretamente influenciado pela cotação internacional. “Como o Brasil é o maior produtor e exportador mundial de café, o preço que pagamos aqui no país reflete, em grande parte, a cotação internacional multiplicada pela taxa de câmbio”, explica o especialista.

Na safra 2024/2025, a produção mundial de café aumentou 4,1%, totalizando 174,9 milhões de sacas. No entanto, o consumo global também subiu, o que reduziu drasticamente os estoques. O estoque final de café foi o menor registrado nos últimos 25 anos, com 20,9 milhões de sacas, o que provocou um aumento significativo nas cotações internacionais.