Atendimento rápido e adequado pode reduzir complicações e evitar agravamento dos casos
No dia 19 de setembro, é celebrado o Dia Internacional de Atenção aos Acidentes Ofídicos, data que reforça a importância da prevenção e da orientação da população diante de acidentes envolvendo serpentes. Em Goiás, o Hospital Estadual de Doenças Tropicais Dr. Anuar Auad (HDT) alerta para os cuidados que devem ser adotados após uma picada e destaca que o atendimento precoce é fundamental para a recuperação do paciente.
De acordo com o infectologista do HDT, Dr. Luiz Felipe Silveira Sales, ainda existem muitos mitos sobre o que fazer imediatamente após o acidente. “Comprimir o local ou tentar sugar o veneno são medidas inadequadas. O correto é lavar a região com água e sabão e procurar atendimento médico o mais rápido possível”, orienta.
O tempo entre o acidente e a chegada ao serviço de saúde pode ser determinante para a evolução do quadro. A avaliação clínica precoce permite identificar os sinais de gravidade e, quando indicado, administrar o soro antiveneno de forma adequada. A recomendação é especialmente importante no caso de crianças, idosos e pessoas com comorbidades, que podem apresentar maior risco de complicações. Também é importante não tentar capturar ou manipular a serpente. Além de atrasar a busca por atendimento, a tentativa de identificar ou pegar o animal pode provocar um novo acidente.
O primeiro atendimento pode ser realizado em qualquer unidade de saúde. O paciente receberá os cuidados iniciais e, quando necessário, será encaminhado para um serviço de referência, como o HDT, garantindo a continuidade da assistência.
Jararaca e cascavel estão entre as principais responsáveis pelos acidentes
Em Goiás, os acidentes envolvendo serpentes do gênero Bothrops, como as jararacas, estão entre os mais frequentes. Esses animais podem provocar dor intensa, inchaço e sangramentos na região da picada. Já as serpentes do gênero Crotalus, como as cascavéis, podem causar manifestações neurológicas, incluindo visão turva, queda das pálpebras e, em casos graves, dificuldade respiratória.
O tratamento é definido de acordo com o tipo de acidente e a avaliação médica. O soro antiveneno é específico para determinados venenos, e sua indicação depende dos sinais e sintomas apresentados pelo paciente.
Números em Goiás
De janeiro a agosto de 2026, Goiás registrou 9.381 acidentes envolvendo serpentes, segundo dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan Net), da Secretaria de Estado da Saúde (SES). No mesmo período de 2025, foram contabilizados 9.711 casos, enquanto em 2024 foram 7.639 ocorrências. . Ao considerar os anos completos, Goiás teve registrado 15.070 acidentes por serpentes em 2025 e 11.931 em 2024.
Entre os casos em que houve identificação do animal, os acidentes por serpentes do gênero Bothrops, que inclui as jararacas, foram os mais frequentes. Até agosto de 2026, foram registrados 761 casos, contra 920 no mesmo período de 2025 e 930 em 2024. Já os acidentes envolvendo serpentes do gênero Crotalus, como as cascavéis, somaram 126 ocorrências em 2026, ante 219 em 2025 e 176 em 2024.
Os acidentes provocados por corais-verdadeiras, da família Elapidae, foram menos frequentes, com 11 registros até agosto de 2026, em comparação com 20 em 2025 e nove em 2024. Já os acidentes por serpentes do gênero Lachesis, como a surucucu-pico-de-jaca, foram raros, com apenas três ocorrências nos três anos analisados — duas em 2024 e uma em 2025.
Prevenção começa antes do acidente
Alguns cuidados simples ajudam a reduzir o risco de acidentes, principalmente em áreas rurais, terrenos com vegetação densa, locais com entulho e outros ambientes onde serpentes podem se esconder. O uso de botas de cano alto ou perneiras de couro é recomendado durante a circulação nesses locais.
Também é importante evitar colocar as mãos em buracos, frestas, sob pedras, troncos ou outros espaços sem visibilidade. Ao movimentar materiais acumulados ou objetos que estejam em áreas de risco, deve-se utilizar ferramentas apropriadas e manter distância segura.
Dados do HDT
Até meados de setembro de 2026, o Hospital Estadual de Doenças Tropicais Dr. Anuar Auad (HDT) registrou 5.036 notificações de acidentes envolvendo animais peçonhentos, entre ocorrências com escorpiões, aranhas, serpentes e outros animais. O número já supera os registros dos anos anteriores: foram 2.060 notificações em 2025 e 1.618 em 2024. Somente neste ano, 273 acidentes envolveram serpentes.
Goiânia concentra o maior número de atendimentos, com 754 registros, seguida por Aparecida de Goiânia, com 513, e Senador Canedo, com 254. Também estão entre os municípios de origem dos pacientes Goianira, com 41 ocorrências; Edeia, com 21; e Abadia, com 20.




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