Economia: confira o boletim macro semanal

Por Olivar Prates

A semana terminou marcada por dois temas importantes. No cenário externo, o petróleo continuou devolvendo o prêmio de risco incorporado durante o conflito entre Irã e Estados Unidos. Começando pelo ambiente geopolítico, o processo de distensão no Oriente Médio avança de forma mais consistente entre os países envolvidos. Os Estados Unidos concederam uma licença temporária, válida por 60 dias, para que o Irã volte a exportar petróleo. Com isso, cresce a expectativa de redução dos riscos de novos incidentes no Estreito de Ormuz e de uma gradual normalização do mercado. A reação dos investidores foi expressiva. O petróleo Brent seguiu em queda ao longo da semana e voltou a ser negociado próximo dos US$ 70 por barril.

No ambiente macroeconômico, nos Estados Unidos, o principal destaque foi a divulgação do PCE de maio, índice de inflação mais acompanhado pelo Federal Reserve. A inflação avançou 0,45% no mês, levando a taxa anual para 4,1%, ainda pressionada pelos preços de energia. Já o núcleo do indicador subiu 0,32%, acumulando alta de 3,4% em doze meses, acima das expectativas do mercado. Por outro lado, diante da recente queda do petróleo, a inflação cheia tende a apresentar leituras mais moderadas nos próximos meses.

No Brasil, as atenções da semana estiveram voltadas para a Ata do Copom e para o Relatório de Política Monetária. De maneira geral, o mercado interpretou que a comunicação do Banco Central apresentou certo descompasso. De um lado, reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,25% ao ano. De outro, apresentou um diagnóstico mais duro sobre o cenário econômico. O Copom reconheceu que a atividade voltou a ganhar força, impulsionada principalmente pelos setores mais sensíveis ao ciclo econômico. Além disso, o Banco Central revisou sua projeção de crescimento do PIB em 2025, de 1,6% para 2%. Ao mesmo tempo, destacou que tanto a inflação cheia quanto os núcleos permanecem acima do teto da meta, e classificou o balanço de riscos como assimétrico para cima, reforçando a preocupação com a dinâmica inflacionária.

Por outro lado, o Comitê reiterou que não pretende reagir integralmente a choques de oferta, optando por uma condução mais gradual da política monetária. Em suas projeções, passou a considerar diferentes cenários, contemplando períodos de pausa e eventual retomada do ciclo de ajustes, conforme a evolução dos dados. Seguiremos acompanhando os indicadores de inflação e atividade, que serão fundamentais para calibrar a decisão do Copom na reunião de agosto. Por ora é isso. Um ótimo final de semana a todos.

 

Olivar Prates Economista | Especialista em Mercado de Capitais