Embaixada dos EUA critica Mais Médicos e diz que sanções não vão parar

Um dia após os Estados Unidos terem anunciado sanções a brasileiros ligados ao programa Mais Médicos, do Ministério da Saúde, a embaixada americana em Brasília publicou uma mensagem em uma rede social afirmando que o programa foi um “golpe diplomático” e que o governo de Donald Trump continuará “responsabilizando os indivíduos ligados a esse esquema”.

Criado no então governo de Dilma Rousseff e retomado no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Mais Médicos foi elaborado com o objetivo de levar profissionais a municípios do interior e às periferias das grandes cidades, principalmente em locais onde o governo federal constatou presença de médicos abaixo do ideal considerando o número de habitantes.

Uma das possibilidades abertas pelo programa foi a participação de médicos do exterior e, por meio de uma parceria com a Organização Pan Americana de Saúde (OPAS), médicos cubanos passaram a trabalhar no Brasil por meio do Mais Médicos.

“O programa Mais Médicos do Brasil foi um golpe diplomático que explorou médicos cubanos, enriqueceu o regime cubano corrupto e foi acobertado por autoridades brasileiras e ex-funcionários da OPAS [Organização Pan-Americana da Saúde]”, disse a embaixada. A nova leva de revogações, anunciada na quarta-feira (13), atingiu inclusive o primeiro escalão do Ministério da Saúde e o coordenador-geral da COP30, Alberto Kleiman.

A publicação aconteceu logo após o presidente Lula criticar a revogação dos vistos, afirmando que a decisão do governo americano foi motivada por questões ideológicas. Em resposta, o governo americano dobrou a aposta. “Não restam dúvidas: os EUA continuarão responsabilizando todos os indivíduos ligados a esse esquema coercitivo de exportação de mão de obra”, disseram na nota.

As manifestações críticas a instituições brasileiras se tornaram uma constante no perfil da embaixada desde a posse de Donald Trump. O atrito chegou a resultar, no início do mês, em um chamamento do embaixador por parte do Ministério das Relações Exteriores, que cobrou explicações sobre o tom hostil adotado.