O ponto central do relatório do Coaf não é apenas a existência dos repasses, mas os indícios de irregularidade apontados sobre o destino desse dinheiro. De acordo com o documento, houve recebimento dos valores com débito imediato pelo Master, o que pode indicar transações suspeitas e desvio da finalidade dos recursos. Além disso, o relatório registra a concentração dos montantes em uma mesma titularidade, dinâmica que, segundo o próprio Coaf, dificulta a identificação de outros beneficiários.
Em resumo, ainda que o Exército sustente que atuava “apenas como interveniente no desconto em folha” e que os recursos fossem privados, retirados de pagamentos dos próprios militares e não de verbas públicas, o mecanismo de circulação do dinheiro levantou alerta no Coaf de possível ocultação de destino e beneficiários. A Aeronáutica também havia credenciado o Master para operações semelhantes, embora não tenha informado os valores movimentados.
A revelação amplia ainda mais o raio de instituições do regime político suspeitas de estabelecerem relações e negócios com um banqueiro que utilizava das suas relações políticas para validar operações podres, mas altamente lucrativas, envolvendo recursos de 18 fundos previdenciários públicos.
O caso do Master tem hoje o STF como um dos principais atingidos por uma crise política causada pelo envolvimento de ministros com o banqueiro Daniel Vorcaro e seus negócios. Dias Toffoli e Alexandre de Moraes são os que seguem no centro dessa trama envolvendo o STF. O bolsonarismo também segue bastante comprometido, em particular Ibaneis Rocha e o BRB já haviam sido tragados pelo caso Master. Claudio Castro, atual ex-governador do RJ, fez um dos maiores aportes ao Master, com R$960 milhões retirados de fundos previdenciários do estado.
Mas também o governo Lula e sua base estão envolvidos, como o ministro como Rui Costa. O que fica patente com esse escândalo é o verdadeiro balcão de negócios que é o Estado capitalista e seus negócios obscuros. Se um banco que não possuía mais que 0,5% dos ativos financeiros do país revelou uma promiscuidade tão ampla entre instituições públicas e os interesses capitalistas privados, imaginem o que deve existir de relações podres entre grandes bancos imperialistas e nacionais com essas mesmas instituições do regime.
O caso Banco Master é uma radiografia de como funciona a república dos banqueiros que se tornou o regime político brasileiro, que é apenas a ponta do iceberg de relações que o fazem instrumento do aumento da exploração e opressão contra os trabalhadores para enriquecer banqueiros, políticos, juízes e, como sempre, também os militares.


Relacionadas
Família encontra malas prontas de Jaine, morta em chacina em Goiatuba
PL oficializa Bia Kicis e Michelle Bolsonaro como candidatas ao Senado pelo DF
“Se mexerem com essa família, eu volto e não será para prender”: capitão dá recado após recuperar casa tomada por criminosos