O governo do Benin afirmou hoje (7) que suas forças armadas frustraram uma tentativa de golpe de Estado, após um grupo de soldados do país da África Ocidental ter reivindicado, em rede nacional de televisão, a tomada do poder.
Um porta-voz do governo disse à agência de notícias Reuters que 14 pessoas foram presas em conexão com uma tentativa de golpe de Estado.
A tentativa de golpe foi a mais recente ameaça ao regime democrático na região, onde os militares tomaram o poder nos últimos anos nos países vizinhos do Benim, Níger e Burkina Faso, bem como no Mali, na Guiné e, apenas no mês passado, na Guiné-Bissau.
Pelo menos oito soldados, vários usando capacetes, apareceram na televisão estatal na manhã de domingo (7) para anunciar que um comitê militar liderado pelo coronel Tigri Pascal havia assumido o poder e estava dissolvendo as instituições nacionais, suspendendo a constituição e fechando as fronteiras aéreas, terrestres e marítimas.
“O exército se compromete solenemente a dar ao povo beninense a esperança de uma era verdadeiramente nova, onde prevaleçam a fraternidade, a justiça e o trabalho”, dizia um comunicado lido por um dos soldados.
No entanto , o Ministro do Interior, Alassane Seidou, afirmou em comunicado algumas horas depois que as forças armadas do país da África Ocidental haviam frustrado a tentativa de golpe.
Cotonou registra tiroteios e reforço de segurança
Moradores de Cotonou relataram ter ouvido disparos em vários bairros durante as primeiras horas da manhã, justamente quando muitas pessoas se dirigiam às igrejas. A embaixada da França alertou seus cidadãos após relatos de tiros próximos à residência do presidente Patrice Talon.
Testemunhas afirmaram que, no início da tarde, a situação havia se estabilizado, embora policiais permanecessem em pontos estratégicos. Narcisse, vendedor de móveis que preferiu não divulgar o sobrenome, relatou: “Fiquei com medo, coloquei meus sofás para dentro e fechei. Agora está um pouco mais calmo, por isso reabri”.
Crise ocorre em meio a disputa eleitoral e pressão por segurança
A tentativa de golpe ocorre em um momento sensível, quando Benin se prepara para a eleição presidencial que marcará o fim do mandato de Patrice Talon, no poder desde 2016. Embora seja apontado como responsável por dinamizar a economia, seu governo enfrenta críticas pela deterioração da segurança no norte, onde ataques jihadistas têm aumentado. Em abril, uma ofensiva atribuída a uma célula ligada à Al-Qaeda matou 54 soldados beninenses.
O ambiente político também se intensificou após a aprovação de uma nova Constituição, que cria um Senado e amplia o mandato presidencial de cinco para sete anos — mudança vista por opositores como manobra do governo. O partido oposicionista Os Democratas, fundado pelo ex-presidente Thomas Boni Yayi, teve sua candidatura barrada pela Justiça por falta de apoio parlamentar.
Benin, que viveu vários golpes e tentativas de golpe após a independência da França em 1960, não registrava uma tomada de poder pela força desde a redemocratização e a realização de eleições multipartidárias em 1991.
A rápida resposta das forças leais ao governo hoje (7) reforçou temporariamente a estabilidade institucional, mas a situação política segue delicada às vésperas da eleição presidencial.


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