O governo federal articula com o Banco Central uma norma para impedir que instituições financeiras concedam mais de um cartão de crédito para cada consumidor. A iniciativa busca conter o avanço da inadimplência e frear o superendividamento das famílias brasileiras, conforme revelou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na quinta-feira (1º).
Freio ao endividamento e críticas ao setor bancário
Segundo o mandatário, o acesso facilitado a múltiplos limites de compras estimula o consumo desmedido e faz com que o trabalhador só perceba o descontrole financeiro tardiamente. Na avaliação de Lula, é urgente moralizar o sistema de crédito nacional para proteger o orçamento doméstico.
O presidente criticou duramente a postura de bancos que costumam enviar cartões sem a solicitação expressa dos clientes, classificando a conduta como criminosa. Ele defendeu que haja uma trava regulatória para coibir a distribuição excessiva de meios de pagamento eletrônicos.
Impacto psicológico e gastos no crédito e Pix
Durante a conversa, Lula destacou que modalidades digitais como o cartão de crédito e o Pix criam a ilusão de que o dinheiro não está saindo do bolso, favorecendo gastos por impulso. Para exemplificar esse comportamento, relatou um caso pessoal da época em que utilizava um cartão corporativo do partido e comprou um charuto de US$ 200, despesa que jamais tinha tido coragem de realizar quando dependia de cédulas em espécie.
Agenda alternativa e debate cancelado
O anúncio sobre as discussões com o Banco Central ocorreu durante uma transmissão ao vivo exibida no mesmo horário em que estava previsto o debate presidencial na TV Globo. O evento televisivo acabou cancelado pela emissora após Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL) declinarem de seus convites — o presidente afirmou que o confronto seria infrutífero, enquanto o parlamentar desistiu após decisões judiciais alterarem o formato da atração.

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