O ex-presidente Jair Bolsonaro tem três grandes amigos em Goiás: Major Vitor Hugo de Araújo Almeida (o primeiro-amigo), Gustavo Gayer Machado de Araújo (o segundo-amigo) e Ugton Batista (o terceiro-amigo). O trio é filiado ao Partido Liberal (PL).
Major Vitor Hugo é vereador em Goiás e candidato a deputado federal. Figura como um dos favoritos. Gustavo Gayer é deputado federal e é candidato a senador. Aposta-se que, assim como Gracinha Caiado, será eleito. Ugton Batista é secretário de Cultura da Prefeitura de Goiânia.
Antes de ser preso, Jair Bolsonaro, quando visitava Goiânia (cidade que adora), para consultas médicas e odontológicas, era ciceroneado por Ugton Batista. Em pelo menos três ocasiões, repórteres do Jornal Opção, como Cilas Gontijo, perceberam o quão eram próximos — até pelas brincadeiras entre os dois.
“Nem tudo está nas pesquisas. Por exemplo: os números de Daniel Vilela hoje são excelentes, mas vão subir — o que, claro, as pesquisas não podem prever agora”, assinala Ugton Batista. “Ele tende a ganhar, no primeiro turno, com 54% dos votos válidos”
Os principais cantores sertanejos de Goiás — o que equivale a dizer do país — se aproximaram de Jair Bolsonaro por intermédio de Ugton Batista.

Agora, entre o bem de Goiás e o obscuro, Ugton Batista tomou uma decisão: apoia a reeleição do governador Daniel Vilela, do MDB. “Daniel é preparado, moderno e pensa no povão. Wilder só pensa nos seus pares — os ricos. Os eleitores goianos não vão eleger um governador para representar uma confraria de ricos.”
Ugton Batista tem um hábito pouco conhecido: examina as pesquisas, tanto as quantis quanto as qualis, com lupa. Busca aquele detalhe pouco visto e examinado.
“Mas nem tudo está nas pesquisas. Por exemplo: os números de Daniel Vilela hoje são excelentes, mas vão subir — o que, claro, as pesquisas não podem prever agora”, assinala Ugton Batista. “Ele tende a ganhar, no primeiro turno, com 54% dos votos válidos.”

Por que a certeza de que Daniel Vilela vai ganhar, e já no primeiro turno?
Integrante da direita esclarecida, Ugton Batista diz que é preciso entender cinco coisas.
“Em 2022, Jair Bolsonaro esteve em Goiás, fez discurso pró-Vitor Hugo, gravou vídeos. Mas a prova de que não se pode tudo é que Vitor Hugo obteve apenas 14,81% dos votos válidos e ficou atrás de Ronaldo Caiado e de Gustavo Mendanha“
Primeiro, postula, “vale lembrar a eleição de 2022. Naquele ano, candidato à reeleição, o então presidente Jair Bolsonaro estava no auge e seu candidato a governador de Goiás era Major Vitor Hugo, seu grande amigo no Estado”.
“Jair Bolsonaro esteve em Goiás, fez discurso pró-Vitor Hugo, gravou vídeos. Mas a prova de que não se pode tudo é que, mesmo sendo o grande amigo de Jair Bolsonaro e tendo contado com seu integral apoio, Major Vitor Hugo obteve apenas 14,81% dos votos válidos (516.579 votos) e ficou atrás de Ronaldo Caiado (51,81% — 1.806.892 votos) e de Gustavo Mendanha (25,20% — 879.031 votos).”

“Então, o resultado do pleito de 2022, quando Jair Bolsonaro podia muito, mostra que o bolsonarismo, por si, não ganha eleição para ninguém. E, quando o candidato é fraco, como Wilder Morais, as coisas pioram. O candidato do PL, neste pleito de 2026, tende a ficar em terceiro lugar, com uma votação bisonha. Ele, por sinal, está prejudicando as chapas de candidatos a deputado federal e estadual.”
Segundo, “Daniel Vilela tem o apoio de quase todos os 246 prefeitos de Goiás, assim como de centenas de vereadores. Conta também com deputados federais, deputados estaduais e dois senadores. Além disso, há um verdadeiro exército eleitoral composto de candidatos a deputado federal, deputado estadual e senador. Nenhum outro exército eleitoral chega a 10% do exército eleitoral de Daniel Vilela”.
Terceiro, Daniel Vilela “conta com tempo de televisão extraordinário. Ele pode mostrar, na TV, não apenas o que fará por Goiás, e sim, sobretudo, o que já está fazendo. Só de manter a segurança pública em excelente funcionamento já é decisivo para obter apoio”.

Quarto, “como dito, Daniel Vilela já tem o que mostrar aos goianos, pois governa Goiás desde abril deste ano e representa a continuidade do governo de Ronaldo Caiado, um dos mais bem avaliados da história do Estado”.
Quinto, “o mais importante prefeito do bolsonarismo em Goiás, o de Anápolis, Márcio Corrêa, apoia Daniel Vilela, e não Wilder Morais. O que prova a incapacidade de articulação do postulante do PL”.
“Wilder Morais não é bolsonarista”
“Qual apoio Wilder Morais e Marconi Perillo, o candidato do PSDB, têm no interior? Quase nada. Eles não têm quem leve suas mensagens aos seus eleitores. Candidatos majoritários não podem ficar o tempo inteiro em redes sociais.”

“Sou do PL, mas devo ser justo e realista. De fato, Wilder Morais é um empresário bem-sucedido e, até onde se sabe, decente. Mas ele não fala coisa com coisa, fica olhando para o tempo quando está conversando com as pessoas. Sua fama de que é ‘preguiçoso” alastrou-se por todo o Estado. Não sei se é ‘preguiçoso’, estou falando da fama.”
“Há outro problema que talvez seja incontornável: Wilder Morais não é bolsonarista e, por isso, não é visto como representante do bolsonarismo. Tenho a impressão de que o senador fica meio constrangido quando está ao lado de bolsonaristas como Major Vitor Hugo, Gustavo Gayer e Fred Rodrigues. Não é o seu ambiente.”
A respeito de Marconi Perillo, Ugton Batista o resume assim: “É um homem que está com o corpo no presente e a mente no passado. Não tem mais a ver com os goianos atuais. Por isso se cercou dos mesmos que ajudaram a perder duas eleições consecutivas. Repetindo, é um político do passado liderando um alquebrado exército de raivosos homens do passado.” (Euler de França Belém)




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