O Ministério Público Eleitoral (MPE) alterou seu entendimento e solicitou formalmente a impugnação da candidatura de Antônio Rueda, presidente nacional do União Brasil, à Câmara dos Deputados pelo Rio de Janeiro. Em parecer encaminhado ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ), a Procuradoria Regional Eleitoral sustenta que o postulante teria sido favorecido pela influência de grupos paramilitares com forte atuação na Baixada Fluminense.
Mudança de posicionamento e novas apurações
Anteriormente, o órgão ministerial havia recomendado o deferimento do registro de Rueda por considerar que as suspeitas não tinham sustentação probatória além de relatos da imprensa. O cenário sofreu uma reviravolta após o TRE-RJ paralisar o julgamento em 11 de setembro para requisitar dados oficiais à Polícia Federal, à Justiça Estadual, à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e à Prefeitura de Belford Roxo.
Com a chegada dos relatórios, confirmou-se que Luiz Eduardo Santos de Araújo, conhecido como Eduardo Araújo, e Fábio Augusto de Oliveira Brasil, o Fabinho Varandão, exerceram funções como secretários municipais em Belford Roxo ao longo de 2025. Ambos já haviam sido barrados nas eleições municipais de 2024 por condenações ligadas à articulação e integração de organizações paramilitares.
Para a Procuradoria, os dois agentes continuaram promovendo politicamente a chapa eleitoral formada por Rueda e Márcio Canella, mesmo após o afastamento de seus cargos. O parecer ministerial alerta que chancelar a disputa nessas condições pode configurar uma tentativa indireta de burlar a vedação constitucional que impede a interferência de milícias nos pleitos.
Argumentos apresentados pela defesa de Rueda
Os representantes legais de Rueda rechaçam integralmente as acusações e afirmam que não há nenhuma prova de ilegalidade cometida pelo dirigente. A defesa enfatiza que o presidente do União Brasil não possui condenações, denúncias ou sequer indiciamentos criminais, devendo vigorar o princípio constitucional da presunção de inocência.
A equipe jurídica sustentou ainda que as manifestações em redes sociais partiram de iniciativas individuais dos próprios apoiadores. Segundo informações fornecidas pelas 153ª, 154ª e 155ª Zonas Eleitorais de Belford Roxo, não houve registro de episódios de violência, intimidação a eleitores, coerção armada ou reserva de território eleitoral em benefício da campanha.
Adicionalmente, documentos municipais certificam que os ex-secretários foram formalmente exonerados em 30 de setembro de 2025, não tendo qualquer vínculo institucional em 2026. A defesa destacou também que Rueda jamais compôs a administração pública local e que sua campanha não mantém relação com nomeações passadas.
Aliança regional e estratégia política na Baixada
O foco do processo recai sobre a articulação entre Rueda e o ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella, candidato a deputado estadual. Nascido em Pernambuco, o mandatário do partido mudou seu domicílio eleitoral para o território fluminense no início de 2026 para fazer sua primeira disputa nas urnas, centralizando seus esforços na base política de Canella sob o lema de ser “o federal de Belford Roxo”.
Canella enfrenta seus próprios desafios jurídicos: foi detido em julho durante operação da Polícia Federal que apurava lavagem de capitais no setor de combustíveis e autuado por posse de arma de uso restrito, após apreensão de um fuzil em seu veículo. Ele foi solto posteriormente e aguarda o veredito do TRE-RJ sobre seu registro de candidatura estadual.
A definição final quanto à permanência de Antônio Rueda na corrida legislativa caberá ao plenário do TRE-RJ. Caso consiga validar o registro, ele estreará na disputa ostentando o maior patrimônio declarado entre os candidatos a deputado federal no Rio de Janeiro, com bens avaliados em R$ 75,6 milhões.






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