Uma nova linhagem do vírus Oropouche já está circulando no Sudeste do Brasil, segundo um estudo que acompanhou pacientes infectados no Rio de Janeiro e em Minas Gerais. A descoberta sugere que o vírus, historicamente associado à região amazônica, pode estar se adaptando a novos ambientes e ampliando sua área de circulação no país.
A pesquisa contou com a participação de cientistas da Universidade Federal Fluminense (UFF) e analisou 55 pacientes com infecção confirmada entre dezembro de 2024 e maio de 2025. Os resultados foram publicados na revista científica Open Forum Infectious Diseases em 7 de janeiro.
A análise genética das amostras revelou que os casos estão ligados a uma linhagem viral chamada reassortante. Esse tipo de variante surge quando o vírus reorganiza partes do próprio material genético, o que pode resultar em novas características.
Segundo o infectologista Ezequias Batista Martins, da Faculdade de Medicina da UFF, as evidências indicam que o vírus passou por alterações ao circular na região. “A avaliação da árvore genética mostrou que o vírus passou por modificações e se adaptou à região Sudeste”, afirma, em comunicado.
Para os pesquisadores, a presença dessa linhagem sugere que o vírus pode se estabelecer de forma mais duradoura na região, com possíveis períodos de maior ou menor circulação.
O estudo também analisou as manifestações clínicas dos pacientes para entender melhor como a infecção se apresenta. Entre os sintomas mais comuns estavam dor de cabeça intensa e mal-estar, ambos relatados por 87% dos pacientes, além de febre, dor muscular e manchas na pele.
Fonte: Metrópoles


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