Open Finance: PicPay aponta gargalos e pede apoio ao BC

Equipe do BC para Open Finance é “superenxuta”, diz PicPay

A consolidação do Open Finance no Brasil demanda uma atuação cada vez mais colaborativa entre as instituições privadas e o Banco Central (BC), cuja equipe técnica responsável pela área opera de forma bastante reduzida. A análise foi apresentada por Thiago Daniel, diretor jurídico e de regulação do PicPay, ao destacar que o suporte do mercado à autoridade monetária é fundamental para superar os atuais entraves operacionais do setor.

Volume expressivo e busca por maior eficiência

Desde a publicação da resolução conjunta nº 1 de 2020, o ecossistema financeiro aberto no país registrou avanços notáveis em infraestrutura e oferta de produtos. Atualmente, a rede movimenta mensalmente cerca de 50 bilhões de chamadas de APIs e ultrapassa a marca de 250 milhões de consentimentos ativos concedidos pelos usuários.

Apesar desses números robustos, o executivo ponderou que a prioridade atual deve migrar da simples disponibilidade técnica para a qualidade do funcionamento. A meta central consiste em verificar se o tráfego de informações é executado sem erros e se os pagamentos iniciados chegam ao destino de forma consistente, uma vez que ainda há participantes com níveis insatisfatórios de eficiência.

Desafios de governança e novos modelos de negócio

Outro ponto considerado decisivo para o futuro do sistema é o aperfeiçoamento da sua estrutura de governança. Daniel defende uma atuação mais participativa do conselho deliberativo para auxiliar os trabalhos da diretoria da Associação Open Finance Brasil e do próprio Banco Central.

O papel estratégico dos novos entrantes

A relevância do ecossistema é evidente na sobrevivência de novos concorrentes no mercado. Mais de 90% das instituições entrantes dependem diretamente da arquitetura aberta para operar, estruturando seus produtos e serviços na captação e análise de dados autorizados pelos correntistas.

Com um arranjo nacional que combina regulação ativa e representatividade das associações privadas, o fortalecimento conjunto entre agentes do mercado e reguladores se desenha como a principal chave para garantir segurança, fluidez e inovação contínua no setor financeiro.