No programa Conversa com Augusto Nunes nesta terça-feira, 13, o deputado federal eleito Lucas Pavanato (PL-SP) defendeu a mobilização de estudantes conservadores para disputar com a esquerda o espaço político nas escolas e universidades.
O parlamentar afirmou que pretende incentivar a atuação de movimentos de direita nas instituições de ensino e promover mudanças na política educacional, incluindo a adoção de vouchers e a redução da influência do Ministério da Educação (MEC) sobre os conteúdos escolares.
“Precisamos ter um ativismo político dentro de escolas e universidades”, declarou Pavanato, eleito em 4 de outubro com mais de 3 milhões de votos, a maior votação para deputado federal da história de São Paulo.
Segundo o parlamentar, a presença de estudantes conservadores nas instituições de ensino não é suficiente para modificar o ambiente político das universidades. “Não basta ser conservador dentro da faculdade se você permite, mesmo sendo maioria, que a esquerda ocupe essa posição”, afirmou.
Pavanato disse que a mobilização faz parte de uma estratégia ampla de fortalecimento da direita em espaços ocupados historicamente pela esquerda. O deputado eleito citou universidades e veículos de comunicação entre os setores nos quais pretende ampliar a presença conservadora. “Precisamos ocupar agora o nosso espaço”, declarou.
A estratégia tem como referência o Turning Point USA, organização conservadora norte-americana criada pelo ativista Charlie Kirk que promove debates políticos em instituições de ensino. Pavanato contou que se inspirou no movimento para começar a frequentar universidades brasileiras e questionar representantes da esquerda.
Em uma dessas ocasiões, durante um encontro na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo com a participação da ex-deputada Manuela D’Ávila (hoje no Psol-RS), foi retirado do local e posteriormente processado por violência de gênero. O processo se estendeu por dois anos.
O parlamentar também anunciou a organização de uma manifestação de estudantes conservadores em frente à Universidade Presbiteriana Mackenzie, na capital paulista, a pedido de integrantes do movimento Direita Mackenzista, nesta quarta-feira, 14.
Pavanato afirmou que sua eleição à Câmara dos Deputados lhe deu condições de ampliar essa atuação. “Agora a gente tem força suficiente para cavar esse espaço”, disse. “É a hora de a gente começar a fazer isso.”
Pavanato defende mudanças no sistema educacional
Além da atuação política dos estudantes, Pavanato propôs mudanças na estrutura do ensino brasileiro. Uma das principais medidas defendidas pelo parlamentar é a adoção de vouchers educacionais, pelos quais as famílias receberiam recursos públicos para matricular os filhos em escolas privadas de sua escolha.
O deputado eleito afirmou que o modelo permitiria descentralizar a distribuição dos recursos e reduzir a dependência das famílias em relação ao ensino oferecido diretamente pelo Estado. “Um pai cristão tem que ter o direito de botar o filho numa escola cristã”, disse. “Por mais que ele seja uma pessoa humilde, ele tem o direito de receber um voucher para isso.”
Pavanato também defendeu a redução das determinações do MEC sobre os conteúdos ensinados nas escolas. Na avaliação dele, os pais deveriam ter maior autonomia para decidir a formação educacional dos filhos.
O parlamentar ainda criticou a distribuição dos investimentos públicos em educação. O gasto por aluno no ensino superior é maior que na educação básica, e Pavanato defendeu que o governo priorize a formação dos estudantes antes da universidade.
Pavanato questionou a ideia de que todos os estudantes devam ingressar no ensino superior depois de concluir a educação básica. “Por que o ensino técnico é tão demonizado?”, perguntou. “Para mim, se um jovem quiser, ele tem o direito de optar por sair da escola, ir para o ensino técnico e arrumar um bom emprego.”
A orientação ideológica do ensino foi outro alvo de Pavanato. Na avaliação dele, as escolas não preparam os jovens para o mercado de trabalho nem para a continuidade dos estudos. “É uma educação completamente disfuncional, voltada simplesmente pra replicação ideológica de absolutos radicais”, encerrou.


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