PF prende Jalser Renier em ação contra compra de votos em RR

PF prende Jalser Renier pela 2ª vez por suspeita de corrupção em RR

O candidato a deputado estadual Jalser Renier (PSDB) foi preso preventivamente pela Polícia Federal durante o cumprimento da Operação Lemming, deflagrada nesta quinta-feira (1º). A ofensiva apura a existência de um esquema de corrupção eleitoral e associação criminosa em Roraima. A mãe do político, Itelvina da Costa, também esteve entre os alvos das diligências judiciais.

Bloqueio milionário e medidas cautelares impostas pela Justiça

Ao todo, a Justiça Eleitoral autorizou o cumprimento de seis mandados de busca e apreensão no estado. Para além das buscas, foram determinadas medidas restritivas severas contra os investigados, incluindo a proibição de comunicação entre si e o veto total a saques bancários em dinheiro vivo.

A decisão judicial também determinou a indisponibilidade e o bloqueio de bens de até R$ 4,2 milhões. Segundo as autoridades policiais, a blindagem financeira e as cautelares têm o objetivo de resguardar provas cruciais, frear tentativas de interferência no andamento do inquérito e interromper a continuidade das práticas ilícitas sob apuração.

Segunda detenção em curto intervalo de tempo

Esta nova prisão preventiva representa um desdobramento direto de outra ação recente: no dia 24 de setembro, Renier havia sido detido em flagrante pelo suposto crime de compra de votos. Na ocasião, o candidato chegou a passar uma noite sob custódia, sendo liberado após audiência e pagamento de fiança, período no qual documentos foram recolhidos para perícia.

As apurações que culminaram na operação tiveram início ainda em outubro de 2025, a partir do flagrante de um indivíduo transportando aproximadamente R$ 305 mil em espécie. O avanço das investigações revelou indícios do repasse de valores em espécie a intermediários, associado ao uso de contas bancárias para a circulação de verbas de origem pública.

Histórico de cassações e retorno amparado pelo STF

Com uma trajetória de 27 anos como parlamentar, Jalser Renier Padilha teve seu mandato cassado pela Assembleia Legislativa de Roraima no ano de 2022 por quebra de decoro parlamentar. A punição ocorreu após denúncias de que ele teria ordenado o sequestro e a sessão de tortura contra um jornalista local, episódio ocorrido em 2020.

Apesar do revés político, o postulante conseguiu reverter parcialmente a perda dos direitos políticos por meio de uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), decisão que permitiu sua participação no pleito eleitoral de 2026. Agora, os investigadores buscam identificar outros eventuais beneficiários da rede de repasses financeiros ilícitos.