A Camorra, uma das organizações criminosas mais antigas e poderosas da Itália, faturava pelo menos 450 mil euros por mês – cerca de R$ 2,7 milhões, na cotação atual – só com a venda de drogas em um único bairro de Nápoles.
A cifra foi revelada nesta semana pelo procurador antimáfia Nicola Gratteri durante uma operação da polícia italiana contra o clã Petrone-Puccinelli.
Na madrugada de 16 de setembro, os Carabinieri, coordenados pela Direção Distrital Antimáfia, executaram 31 mandados de prisão contra integrantes do clã que controlava os pontos de venda de drogas no Rione Traiano, na zona oeste da cidade.
O território já havia sido alvo de uma operação semelhante em 2017. Durante a ação, helicópteros, cães farejadores e uma unidade de elite dos Carabinieri, os “cacciatori”, foram mobilizados. A polícia apreendeu 55 mil euros em dinheiro, um Rolex avaliado em 11 mil euros e um colar de diamantes.
As investigações revelaram um esquema sofisticado: os pontos de venda funcionavam 24 horas por dia, cada um sob responsabilidade de uma família do clã. Havia vigias que nunca ficavam sempre no mesmo local, e os traficantes trabalhavam em turnos de oito horas, com direito a “hora extra”.
A droga era mantida escondida em outro local e só levada ao ponto de venda pouco antes da entrega, a chamada técnica just in time. Um grupo se dedicava exclusivamente a monitorar câmeras de segurança para identificar a aproximação da polícia, enquanto traficantes mais experientes treinavam os mais novos a “cortar” a droga para aumentar o lucro.
A Camorra, batizada no fim do século 19, é a mais antiga e uma das maiores máfias italianas, ao lado da Cosa Nostra siciliana e da ‘Ndrangheta calabresa.
Diferente das rivais, tem estrutura descentralizada, funcionando como uma confederação de clãs que disputam território entre si, o que a torna, segundo estudos, a mais violenta das três, responsável por mais homicídios que as outras duas somadas.
Já não é considerada a mais rica: esse posto pertence hoje à ‘Ndrangheta, que domina boa parte do tráfico de cocaína que chega à Europa. Ainda assim, a Camorra segue como uma força criminosa central em Nápoles e na região da Campânia, resistente a décadas de operações policiais.




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