Renner deixa de vender camiseta com frase usada por réu de estupro coletivo

A marca de moda brasileira Renner anunciou, nesta sexta-feira (13), o recolhimento da camiseta “Regret Nothing” de suas lojas físicas e canais digitais. A peça passou a ser alvo de polêmica após ser utilizada por Vitor Hugo de Oliveira Simonin, de 19 anos, ao se apresentar na Delegacia de Copacabana (RJ) para prestar depoimento sobre sua participação no estupro coletivo cometido contra uma adolescente de 17 anos.

Entenda a frase

A expressão pode ser traduzida como “Não se arrependa de nada” e é associada ao influenciador Andrew Tate. O autointitulado “coach de masculinidade” tem contas banidas no Facebook e no Instagram desde 2022 por discursos misóginos e odiosos, popularmente red pills. Ele defende dominação masculina e desprezo por mulheres.

Tate é réu por estupro, tráfico e exploração de menores na Romênia e no Reino Unido. Chegou a ser preso, mas foi solto em 2025.

Já disse que vítimas de abuso sexual devem ser culpadas. Tate afirma que mulheres “devem ficar em casa” e que são “dadas aos homens e pertencem a eles”.

Os chamados “red pills” estão entre os mais conhecidos nesse ambiente virtual, onde ideologias machistas são disseminadas sob a justificativa de um suposto “despertar para a realidade”, em referência ao filme Matrix (1999).

Nota da Renner

Em nota, a Renner afirmou que “repudia qualquer forma de violência ou conduta ofensiva” e reafirmou “seu compromisso com seus valores e princípios institucionais”.

“O processo criativo da referida peça não tem qualquer relação com o movimento red pill, e que toda a base conceitual e estética foi pautada em manifestações culturais contemporâneas, como poesias e composições musicais. Ainda assim, a companhia providenciou a retirada do item de seus canais digitais e das lojas físicas”, disse a empresa.

Estupro coletivo

Simonin é um dos quatro homens acusados de participarem de um estupro coletivo contra uma adolescente de 17 anos em um apartamento em Copacabana, no Rio de Janeiro. Um adolescente também participou das agressões. O caso aconteceu na noite de 31 de janeiro.

Em depoimento prestado na delegacia, na presença da avó, a adolescente relatou que foi convidada pelo adolescente, que era um colega de escola, para ir ao apartamento de um amigo dele. Ele teria pedido que ela levasse uma amiga, mas, como não conseguiu, foi sozinha.

Ao chegar ao prédio, ela encontrou com o jovem na portaria e subiu ao apartamento, onde foi levada para um quarto. Lá, ela ficou mais de uma hora submetida a agressões físicas e sexuais dos acusados.