Saúde aumentou teto de Goiânia em R$ 77 mi após ação de lobista

Depois de pedido de lobista, Saúde elevou teto de Goiânia em R$ 77 milhões

O Ministério da Saúde autorizou uma expansão de R$ 77 milhões no teto financeiro destinado à capital de Goiás após a atuação da lobista Roberta Luchsinger junto à cúpula da pasta federal. Registros de mensagens indicam que a portaria que oficializou o envio dos recursos foi remetida diretamente a ela pelo então secretário-executivo do ministério, Swedenberger Barbosa, instantes depois de receber a assinatura ministerial.

Intermediação e envio rápido de portaria

As comunicações indicam que Barbosa encaminhou a documentação em 30 de abril de 2024, pouco depois de receber a lobista em Brasília. O arquivo foi enviado às 19h51, exatamente 17 minutos após o aval concedido pela então ministra da pasta, Nísia Trindade, assinado às 19h34. No decorrer desse processo, a Prefeitura de Goiânia se encontrava sob o comando de Rogério Cruz — cargo atualmente chefiado por Sandro Mabel.

Origem das conversas e articulação municipal

A aproximação teve início no segundo semestre do ano anterior. Em outubro de 2023, Roberta conversou com Quesede Ayres Henrique, então secretário-executivo de Saúde de Goiânia, com o propósito de articular a atração de verbas da União para o município.

Naquela fase, a interlocutora consultou a disponibilidade dos tetos para a Média e Alta Complexidade (MAC) e para o Piso de Atenção Primária (PAP). A pasta local informou que o teto comportava R$ 175 milhões no segmento MAC e R$ 104 milhões no PAP. Meses depois, em dezembro, ela chegou a solicitar uma reunião entre o secretário-executivo do ministério e Wilson Pollara, titular da Saúde municipal na época.

Esclarecimentos e justificativa técnica

Em manifestação oficial, o Ministério da Saúde comunicou que os acréscimos nos tetos MAC obedeceram a critérios estritamente legais e técnicos no âmbito de uma política iniciada em 2023, mediante solicitações formais das secretarias. Conforme o órgão, a verba aprovada para a capital goiana atendeu à necessidade de assegurar o funcionamento de uma maternidade municipal ameaçada de fechamento.

A equipe jurídica de Swedenberger Barbosa ressaltou que as tramitações seguiram os mesmos parâmetros aplicados a todos os entes federativos, classificando como preocupante a tentativa de contextualizar sua conduta a partir de trechos isolados de mensagens. Roberta Luchsinger e Quesede Ayres Henrique não retornaram as tentativas de contato.