Por determinação do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA), a plataforma MasterWhats foi retirada do ar após um pedido liminar da Coligação Mais Bahia, Mais Brasil, grupo político integrado pelo senador e candidato à reeleição Jaques Wagner (PT). O portal disponibilizava um banco de dados com comunicações privadas obtidas do aparelho celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
Acusações de manipulação e decisão da Justiça Eleitoral
O magistrado Isaías Vinícius de Castro Simões acolheu parcialmente o pleito da coligação governista, que alegava a inautenticidade dos diálogos atribuídos ao parlamentar petista. Ao analisar o caso, o juiz considerou o material como uma “criação deliberada de conversas artificiais”, ressaltando o risco iminente de desinformação e manipulação da opinião pública no pleito.
Para cumprir a ordem, o tribunal notificou o Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br) para desativar o conteúdo específico ou, se tecnicamente inviável a exclusão pontual, congelar integralmente o domínio recomendeme.com.br. Além disso, o administrador do endereço eletrônico, Lucas Matheus Alves da Silva, foi incluído no polo passivo do processo judicial.
Criador da plataforma alega falta de notificação prévia
O responsável pelo projeto declarou que não recebeu avisos, intimações ou a chance de exercer contraditório antes da queda da página. Silva relatou ter tomado conhecimento do fato apenas ao consultar a empresa de hospedagem Hostinger, onde o serviço constava como suspenso por exigência jurídica.
De acordo com o programador, o bloqueio do domínio acabou derrubando indevidamente outro projeto de sua autoria hospedado no mesmo endereço: a rede social RecomendeMe, focada em sugestões culturais de cinema, música e televisão, sem qualquer ligação com a esfera política.
Alcance da ferramenta e personalidades citadas
Em sua defesa nas redes sociais, o desenvolvedor sustentou que o sistema apenas indexava e facilitava buscas em documentos e diálogos que já haviam sido tornados públicos por investigações da Polícia Federal e pela imprensa. O repositório contava com mais de 65 mil registros e acumulou cerca de 1,5 milhão de visualizações em apenas duas semanas de operação.
A ferramenta permitia a pesquisa de supostos diálogos envolvendo figuras de destaque institucional, entre elas o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e o ex-chefe adjunto do Departamento de Supervisão Bancária do Banco Central, Paulo Sérgio Neves de Souza.




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