Derrubar a tirania não ofende a população nem o islamismo; respeita a fé e a tradição dos persas
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente recebeu em 2013 os pedidos de licença para explorar a Margem Equatorial, uma faixa de oceano que se estende do Amapá ao Rio Grande do Norte com 30 bilhões de barris de petróleo. Enrolou até 2025 para autorizar o início das experiências. Se o presidente fosse Donald Trump, teria demitido o chefe do Ibama com a velocidade de um bombardeiro B-2 para fazer a riqueza emergir.
A tartaruguice das permissões ambientais “dá vontade até de morrer”, diria o protagonista de “O vampiro de Curitiba”, livro lançado em 1965 pelo excelente escritor Dalton Trevisan, que morreu em dezembro de 2024 e neste junho faria 100 anos. Como o personagem, a direção do instituto “grita 24 horas e desmaia feliz” a cada negativa a quem trabalha, ainda “molha o lábio com a ponta da língua para ficar mais excitante”.
O preço do barril está subindo, talvez passe dos US$ 100 (estava em US$ 60 quando o Ibama travou a tiragem) e o Brasil poderia ser um dos vencedores da guerra no Oriente Médio sem dela participar, bastaria que tivesse liberado a extração.
O Ibama deveria se preocupar com as queimadas, que em 2024 devastaram 62% mais (30 milhões de hectares) que a média histórica (18,5 milhões). “A cobertura florestal” consumida em incêndios, publicou este Poder360, teve “aumento de 287% em relação à média das últimas 4 décadas”. Sim, uma área do tamanho da Itália inteira ardeu em chamas no ano 2 de Lula 3 e Nero é que ganhou fama por incendiar “apenas” Roma.
Método eficaz de cercar fogo é com fogo. No fim de semana, Trump decidiu participar da tentativa de implantação da democracia no Irã barrando as atrocidades dos aiatolás na linguagem que eles entendem, a da bomba, como as que lançam sobre Tel Aviv. A diferença são os alvos. Os EUA miram complexos nucleares, o líder iraniano Ali Khamenei alveja seus compatriotas e civis em território alheio.
Se tempos atrás Washington tivesse tomado providências imediatas, no estilo Trump, a Terra não estaria tolerando as ameaças do ditador reborn da Coreia do Norte com seu arsenal nuclear. Da mesma forma, lépida e precisa, deveria ter agido para desarmar o Paquistão, que abrigou Bin Laden e bancou o Talibã atirando na cabeça de Malala Yousafzai, cujo crime era combater a proibição de menina estudar. O despotismo no Irã já vai tarde.
A turma woke, que se descobriu antissemita depois de o Hamas matar 260 jovens num festival de música em Israel, não sabe o que é sobreviver sob a Polícia da Moralidade e o Plano Noor –e aqui a referência não é a Noor da Jordânia, ex-rainha que não perdeu a majestade, pois continua lutando contra armas nucleares. Noor do Irã significa hijab e castidade, esconde o cabelo ou sofre as consequências. Mahsa Amini, uma das mulheres condenadas por não ajeitar o véu como Khamenei exige, foi presa e assassinada na cadeia. Quem se solidarizou com ela acabou em cárcere também.
Influencers espicham o pescoço para fora da rede porque estão no ocidente. Se morassem em Teerã, não teriam a menor chance. E as chamadas minorias? Khamenei trata questão étnica a porrete e bala.
A tropa dos direitos humanos, afoita para xingar EUA e Israel, conhece a longa lista de crueldades do Irã e não a critica. Portanto, Trump está fazendo um bem à humanidade, com lição em latim, “si vis pacem, para bellum”. Em português, “se quer paz, prepare-se para a guerra”.
Derrubar a tirania não ofende a população nem o islamismo. Respeita a fé e a tradição dos persas, que tanto contribuíram para a cultura, o comércio e as ciências.
Maravilhas high tech como as apresentadas por Trump, tipo os bombardeiros, teriam similar industrial na tecnologia iraniana se as fortunas do petróleo fossem investidas em educação, não em guerras, repressão a dissidentes, financiamento de grupos terroristas nacionais e estrangeiros, além de aventuras como o projeto atômico. Uma gente tão sábia e criativa merece a oportunidade de mostrar sua inteligência.
Quase 5.000 anos de história, 74 vezes maior que Israel em área e se aproximando de 100 milhões de habitantes, o Irã é uma potência global. O que o distingue das ricas nações europeias é sempre o governo ou a ausência de. Nos últimos 100 anos, foram 4 mandantes, cada qual pior que o seguinte: Reza Xá (1925 a 1941) e seu filho Xá Reza (1941 a 1979), Ruhollah Khomeini (1979 a 1989) e Khamenei (1989 até agora). Possibilidade de uma nação se erguer graças a esse quarteto: zero.
Com outros políticos num comando laico e republicano, modernidade para o bem e modelos eficientes de gestão, o Irã retomará a glória da Pérsia. Achou a Margem Equatorial farta? A agência de notícias EFE informou em 2017 que as “reservas do Irã são de 711,5 bilhões de barris, dos quais 102,3 bilhões são recuperáveis”, a 3ª maior do planeta, atrás de Venezuela e EUA. Em gás, só a Rússia está à frente.
A localização geográfica privilegiada lhe dá o controle do estreito de Ormuz, por onde passa 20% do petróleo do mundo. Se Khamenei o fechar, Trump o reabrirá com um porta-aviões e uma pá de cal sobre o decrépito regime. Enquanto escrevo este artigo, o aiatolá continua no cargo, mas sua queda é iminente. Que esse dia chegue logo, porque nele oriente e ocidente vão gritar 24 horas por dia até desmaiarem de felicidade.




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